Shopping converte-se em sinal de que alguma abertura é possível

Cimento e aço tirados dos escombros da guerra de 2008 e reciclados formam os alicerces do novo e colorido Gaza Shopping Mall. Inaugurado em julho, com oito lojas no primeiro andar, supermercado, restaurante e sorveteria no térreo, o "complexo" de compras - iluminado por geradores - é uma espécie de oásis no cenário desértico de Gaza.

Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2010 | 00h00

A empreitada só foi possível, de um lado, porque Israel afrouxou o embargo de alimentos e roupas, em junho, graças à pressão internacional, após o ataque de Israel à flotilha turca que levava ajuda humanitária à Gaza, que deixou nove mortos a bordo.

De outro e, talvez, principalmente, por uma mudança ainda muito discreta na política do governo de facto do Hamas. Inclui esforços em relações públicas, um discurso mais brando junto à comunidade internacional sobre Israel e alguma forma de escape do cotidiano sufocante para os palestinos em Gaza.

Nos últimos meses, o grupo extremista que controla Gaza autorizou também a abertura de uma escola de surf para meninas nas águas de Gaza e um parque aquático e de diversões infantil à beira-mar, o Acqua Fun.

Anexo ao parque, funciona um restaurante com música ao vivo, onde as mulheres fumam e algumas ousam exibir os cabelos. "Eles tentaram proibir, mas o que há de errado com isso? E por que só as mulheres não poderiam fumar? A minha é muçulmana, fumava e, nos tempos dela, usava minissaia", diz Heba Arief, de 32 anos.

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