Simeon Aquino III lidera apuração em pleito nas Filipinas

Parciais refletem pesquisas de boca-de-urna e dão vitória do candidato sobre Joseph Estrada

Agência Estado e Associated Press

10 Maio 2010 | 12h53

MANILA - A Comissão Eleitoral das Filipinas informou nesta segunda-feira, 10, que os resultados iniciais das eleições mostravam o senador Benigno Simeon Aquino III à frente na disputa presidencial. O candidato aparecia com vantagem sobre o rival mais próximo, o ex-presidente Joseph Estrada.

A comissão informou que Aquino estava com 5.853.537 dos votos já apurados, enquanto Estrada vinha com 3.728.723. O senador Manuel Villar aparecia em terceiro, com 2.024.119 votos. O candidato da situação, o ex-secretário da Defesa Gilberto Teodoro, estava com 1.541.199 votos.

A parcial reflete as pesquisas de boca-de-urna, que previam uma vitória de Aquino com 42% dos votos, enquanto Estrada aparecia com 20%. O presidente da comissão eleitoral, José Melo, disse que 75% dos 50 milhões de eleitores participaram da disputa. Ele afirmou que o resultado final deve sair amanhã. As eleições realizadas neste fim de semana foram as primeiras com o uso de aparelhos eletrônicos das Filipinas.

Novo começo

Milhões de filipinos em busca de um novo começo, após uma década de política maculada pela corrupção, votaram apesar dos casos isolados de violência e das falhas nas máquinas para contagem de votos, usadas pela primeira vez no país.

Na liderança da apuração até o momento, Aquino, de 50 anos, é filho da falecida presidente Corazón Aquino e do senador oposicionista Benigno Aquino, assassinado em 1983 por soldados no aeroporto de Manila, quando regressava do exílio nos EUA para desafiar o então ditador Ferdinand Marcos.

Aquino não conseguiu votar, porque uma das máquinas não estava funcionando em sua seção eleitoral. A Comissão Eleitoral ampliou o período de votação em uma hora a fim de compensar os atrasos.

As falhas eletrônicas e a violência relacionada à campanha eleitoral, que provocou a morte de mais de 30 pessoas nos últimos três meses, estavam no centro das preocupações dos candidatos. Uma falha no software descoberta há uma semana quase suspendeu a disputa, mas ela foi reparada no último momento. Apesar disso, algumas máquinas tiveram problemas por causa da umidade, incluindo no povoado de Aquino, Tarlac, no norte de Manila.

"Este é um novo sistema de votação. Temos uma cédula maior, por isso espero que todo mundo possa votar sem se atrasar e espero que não haja largas filas do lado de fora, quando terminar a votação", disse Aquino.

Temor

Antes, como a contagem era manual, a demora nos resultados ampliava as suspeitas de fraude. Os funcionários esperam agora que os primeiros resultados estejam disponíveis uma hora após o fim da votação. Dos 90 milhões de filipinos, 50 milhões estão registrados como eleitores. Além da presidência, está em disputa cargos municipais e de deputados.

O comissário de Eleições, Gregorio Larrazabal, disse que cerca de 300 das 76 mil máquinas apresentaram problemas, mas acrescentou que a maioria das que tiveram falhas foi trocada. Os problemas, segundo ele, "não são tão generalizados como poderia parecer".

Pelo menos cinco pessoas morreram e seis ficaram feridas hoje, segundo a polícia. Soldados e homens armados entraram em confronto na província de Maguindanao, no sul do país, onde 57 pessoas morreram no ano passado, em um caso de violência relacionado às eleições. Dois civis morreram em Kabuntalan, em um enfrentamento entre partidários dos candidatos a vice-prefeito.

Os rivais de Aquino na luta pela presidência são o milionário Manny Villar e o deposto presidente Joseph Estrada, que está em segundo nas pesquisas. A ex-primeira-dama Imelda Marcos é candidata a deputada, e o astro do boxe Manny Pacqiao tenta pela segunda vez chegar ao Congresso. Com informações da Dow Jones.

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