Sintomas do Antraz se confundem com de doenças comuns

A onda de terrorismo das últimas semanas e os dois casos de contaminação dos funcionários da American Media, na Flórida, Estados Unidos, trouxeram de volta a cena o antraz. A bactéria, comum em fazendas, preocupa as populações urbanas, que tentam se prevenir por não descartarem a possibilidade de ataques com armas biológicas. A doença causada pelo antraz ocorre normalmente em vacas, ovelhas, cabras e porcos, e conseqüentemente as pessoas que lidam com esses animais. A forma mais freqüente de infecção acontece na pele, onde podem surgir pequenas feridas negras e pode ser fatal em 20% dos casos. "Começa com algo parecido com furúnculos e, durante o tratamento, o bacilo é encontrado", explicou o geneticista Roque Monteleone, diretor do Departamento de Assuntos Nucleares e Bens Sensíveis do Ministério da Ciência e Tecnologia, à Rádio Eldorado. O índice de mortes por ingestão está entre 25% e 60% e pode chegar a 90% por inalação. Nestes dois casos, segundo Monteleone, o antraz é mais difícil de ser identificado porque os sintomas se confundem com os de outras doenças mais comuns. "Se a pessoa ingere, terá enjôos, vômitos, febre, efeitos que podem ser relacionados com uma gastroenterite. No caso de inalação, há febre alta, dores no tórax e dificuldades respiratórias, sintomas parecidos com pneumonia", complementa. Resistência Uma das principais características da bactéria, conhecida cientificamente como Bacillus antracis, é a resistência. O antraz tem a capacidade de criar esporos, espécies de casulos que os mantém vivos até o momento de serem liberados para infectar animais e humanos. Sobrevive na água e, dependendo das condições, o bacilo pode ficar até décadas em contato com o solo. O tratamento é difícil, avalia Roque Monteleone, "principalmente quando já se manifestaram os primeiros sintomas". Ele diz que o mais importante é tomar antibióticos logo que se perceber um comportamento incomum das pessoas em um determinado ambiente. O professor de doenças infecciosas da Unicamp, Luís Jacintho da Silva também ressalta a importância dos antibióticos no tratamento contra o antraz. Historicamente, o tratamento mais usado era a penicilina. Arma Utilizado como arma biológica, a antraz pode ter grande eficácia, avalia o especialista em armamentos, o jornalista Roberto Godoi. "Principalmente por causa da resistência. O bacilo pode até ser borrifado com um spray." Já o professor Luís Jacintho diz que isso é difícil. Ele avalia que há limitações, porque "não foi encontrada uma maneira de dispersar o antraz ao longo de grandes distâncias e infectar um número alto de pessoas". Roque Monteleone ressalta que a eficácia da ação depende do modo escolhido para ser liberado no ambiente. Ponto em comum entre os especialistas ouvidos pelo site da Rádio Eldorado é a necessidade de alta tecnologia para que seja produzido. "Precisa de laboratórios com alto nível de equipamentos e segurança. Quem se aventura deve saber muito bem o que faz", sustenta Roberto Godoi ao afirmar que organizações isoladas não conseguiriam desenvolver este tipo de estrutura sem o apoio dos governos. "Nas mãos de um país, os métodos seriam mais sofisticados e os efeitos poderiam ser graves", complementa Roque Monteleone. "Diante dessas condições, é mais fácil falar do que fazer", diz Luís Jacintho da Silva.Leia o especial

Agencia Estado,

10 Outubro 2001 | 13h59

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