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Sírios vão às urnas em eleição que deve garantir vitória a Assad

O Estado de S. Paulo

03 Junho 2014 | 12h 08

Presidente tenta a reeleição em meio a uma guerra civil que deixou mais de 160 mil mortos; oposição diz que pleito é uma fraude

AP
Assad vota em Damasco

DAMASCO - Os sírios iniciaram nesta terça-feira, 3, a votar na eleição que deve resultar na vitória do presidente Bashar Assad, em meio a uma guerra civil que dividiu o país e matou mais de 160 mil pessoas.

Os opositores de Assad classificaram a eleição de fraude, dizendo que nenhuma votação com credibilidade pode ser realizada em um país no qual amplas partes do território estão fora do controle estatal e milhões de pessoas tiveram de fugir de suas casas. Insurgentes que lutam para depor Assad aumentaram os ataques em áreas controladas pelo governo durante a preparação da eleição, na tentativa de interromper a votação.

Os colégios eleitorais abriram às 7h (horário local) na parte da Síria onde Assad continua a governar e a televisão estatal transmitiu imagens de pessoas fazendo fila para depositar os votos em várias cidades. "Esperamos segurança e estabilidade", disse Hussam al-Din al Aws, um professor de árabe que foi a primeira pessoa a votar em um colégio eleitoral de Damasco. Questionado sobre quem venceria, ele respondeu: "Se Deus quiser, o presidente Bashar Assad."

Assad está concorrendo contra dois candidatos relativamente desconhecidos, os quais foram aprovados por um Parlamento dominado pelos aliados do governo. A previsão é que nenhum dos rivais de Assad, o ex-ministro Hassan al-Nouri e o parlamentar Maher Hajjar, consiga resultados significativos.

Essa é a primeira vez em meio século que mais de uma pessoa concorre à presidência. As últimas sete eleições presidenciais foram um referendo para aprovar Assad ou seu pai, Hafez Assad. Hafez nunca teve aprovação menor do que 99%, enquanto Assad conquistou 97,6% há sete anos.

Autoridades sírias previram um grande comparecimento às urnas e disseram que um alto nível de participação será tão importante quando o próprio resultado do pleito. "A dimensão do comparecimento é uma mensagem política", disse o ministro da Informação, Omran Zoabi, à Reuters na noite de segunda-feira. "Os grupos armados terroristas aumentaram suas ameaças porque temem (um alto nível de) participação", acrescentou.

Ofensivas rebeldes com foguetes mataram 50 pessoas no fim de semana nas áreas de Alepo controladas pelo governo. Bombas lançadas de helicópteros em áreas da cidade controladas pelos rebeldes mataram quase 2 mil pessoas apenas neste ano, disse um grupo de observação. / REUTERS