Sob críticas, pastor dos EUA mantém plano de queimar Alcorões

Religioso se diz contra a o islã radical; Hillary Clinton disse que ato 'não representa os americanos'.

BBC Brasil, BBC

08 Setembro 2010 | 19h21

Apesar de fortes críticas dentro e fora dos Estados Unidos, o pastor evangélico americano Terry Jones disse nesta quarta-feira que manterá seus planos de queimar cópias do Alcorão no nono aniversário dos atentados de 11 de Setembro, no sábado.

Jones, da igreja Dove World Outreach, que tem estimados 50 seguidores, disse à rede de TV americana MSNBC que ninguém o fará mudar de ideia. "Vamos mandar uma mensagem clara ao islã radical (...) de que a sharia (lei islâmica) não é bem-vinda na América", declarou o pastor.

"Nossa queima do Alcorão é para ressaltar que algo está errado", disse. "Há algo muito errado com nossas políticas quando nós observamos um prédio cheio de pessoas morrendo porque nossas políticas não nos permitem fazer nada. Como acontece agora. Nós não estamos convencidos de que recuar é a coisa certa. Assim, em 11 de setembro, nós vamos continuar com o evento que planejamos."

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse que a ação de Jones "não representa os americanos, o governo americano ou as lideranças políticas e religiosas do país".

"Estamos em um país de 310 milhões (de habitantes). É uma pena que um pastor em Gainesville, Flórida, de uma igreja de não mais que 50 pessoas, possa fazer esse plano vergonhoso para obter a atenção do mundo", disse a chanceler.

A polêmica acontece num momento de tensão envolvendo o islã nos Estados Unidos, já que um projeto para construir uma mesquita perto do local dos atentados de 11 de Setembro está sendo alvo de protestos.

Resposta descontrolada

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também criticou nesta quarta-feira a ideia de queimar o Alcorão, e seu enviado ao Afeganistão, Staffan de Mistura, disse que a iniciativa pode colocar em perigo a vida de quem trabalha para pacificar o país.

O mesmo alerta fora feito anteriormente pelo general David Petraeus, comandante das forças dos Estados Unidos no Afeganistão, e pelo secretário da Justiça americano, Eric Holder, que chamou a ideia de "idiota" e "perigosa".

Nos países islâmicos, do Oriente Médio à Ásia e ao norte da África, as reações reportadas na imprensa foram de ira e preocupação.

A TV iraniana Al-Alam disse que Teerã advertiu que a queima do Alcorão poderia desencadear uma resposta descontrolada de muçulmanos. E o jornal estatal egípcio Al-Akhbar citou o perigo de um "levante" no mundo islâmico e de um retrocesso na aproximação entre o Islã e outras religiões.

O presidente do Líbano, o cristão Michel Suleiman, disse em comunicado que "esses atos são incompatíveis com a lógica do diálogo entre civilizações, religiões e cultura".

Na Europa, o Vaticano expressou "grande preocupação" de que a atitude de Jones provoque "ódio e violência". "Isso vai na direção oposta da construção da paz", segundo o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que o plano de Jones é "desrespeitoso, repugnante e simplesmente errado". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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