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Sob impacto da crise ucraniana, Obama promete ampliar presença na Europa

Cláudia Trevisan - Correspondente / Washington

03 Junho 2014 | 10h 46

Em viagem à Polônia, presidente americano diz que EUA têm um compromisso com a segurança de países da Europa

Kevin Lamarque/Reuters
Obama anuncia reforço da cooperação militar com aliados europeus

(Atualizada às 23h40) WASHINGTON - Sob o impacto da anexação da Crimeia pela Rússia, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou na terça-feira, 3, na Polônia que pretende destinar US$ 1 bilhão à ampliação da presença militar americana na Europa e pediu que seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aumentem suas contribuições à defesa da região.

“Nós vimos um constante declínio nos gastos europeus com defesa em geral”, disse Obama em Varsóvia. “Isso tem de mudar.” O presidente participou na terça das celebrações dos 25 anos da vitória do partido Solidariedade nas eleições parlamentares de 1989, que abriram o caminho para o fim do comunismo na Polônia e para a saída do país da zona de influência da então União Soviética.

A viagem de Obama tem o objetivo de reforçar o compromisso americano com a defesa da região, em especial com os países do Leste Europeu que antes integravam o bloco soviético. Na quarta-feira, ele se reúne em Varsóvia com o presidente eleito da Ucrânia, o milionário Petro Poroshenko, que enfrenta um movimento separatista na fronteira com a Rússia.

O presidente da Polônia, Bronislaw Komorowski, fez coro com Obama sobre a necessidade de fortalecimento da Otan e do compromisso da organização com a defesa coletiva de seus integrantes. 

“É difícil não notar que algo mudou na fronteira leste da Otan e, de novo, nós caminhamos para a agressão com o uso de forças militares contra um de nossos vizinhos. Poucos anos atrás, foi a Geórgia. Agora, é a Ucrânia, com foco especial na Crimeia”, afirmou.

Na avaliação de ambos os dirigentes, a entidade precisa fortalecer seu poderio militar para poder responder de maneira rápida a eventuais ameaças externas. “Isso vai demandar algumas capacidades conjuntas que hoje nós não temos”, avaliou Obama.

Sistema pronto. Em sua opinião, o que ocorreu na Ucrânia cria um “sentido de urgência” no debate que ocorrerá no encontro de cúpula da Otan, marcado para setembro. O presidente americano disse que é necessário assegurar que o sistema coletivo de defesa “seja robusto, esteja pronto e seja equipado de maneira apropriada”.

Obama e Komorowski se reuniram em Varsóvia com os presidentes de nove países do centro e do leste da Europa, entre os quais Hungria, Romênia, Croácia e República Checa. Segundo a Casa Branca, a situação na Ucrânia dominou o encontro e os presidentes concordaram com a necessidade de aumento dos investimentos e da capacidade da Otan.

Na sexta-feira, Obama e o presidente russo, Vladimir Putin, participarão, ao lado de outros líderes europeus, das celebrações dos 70 anos do desembarque dos soldados aliados na Normandia, no norte da França. 

“Eu tenho certeza que vou vê-lo. Ele estará lá. Eu acho que é importante para nós reconhecermos o papel da Rússia na 2.ª Guerra”, declarou Obama, depois de dizer que ele e Putin sempre tiveram uma relação “profissional”.

Apesar do inevitável encontro, não há previsão de conversas bilaterais entre ambos. No entanto, já se sabe que Putin se reunirá com alguns dos principais líderes europeus. Na quinta-feira, ele será recebido pelo presidente francês, François Hollande. No dia seguinte, se encontrará com o primeiro-ministro britânico, David Cameron.