Sob pressão, primeiro-ministro palestino viaja aos EUA

O primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, pode ser afastado do cargo pelo Parlamento a menos que obtenha em Washington concessões por parte de Israel, afirmou nesta quarta-feira o ministro palestino da Informação, Nabil Amr. Os comentários de Amr reforçam a expectativa dos palestinos em relação à viagem que o pressionado premier inicia nesta quarta-feira aos EUA, onde deverá reunir-se na sexta-feira com o presidente americano, George W. Bush. Embora a violência tenha diminuído substancialmente desde que os grupos radicais palestinos declararam uma trégua temporária dos ataques contra israelenses em 29 de junho, as frustrações dos palestinos vêm crescendo à medida em que o governo não obtém progressos nas negociações em torno do ?roteiro para a paz?, o plano apoiado pelos EUA que prevê a criação de um Estado palestino até 2005. Israel se retirou de partes da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, mas continua mantendo tropas em outras cidades palestinas; desmantelou alguns assentamentos ilegais, mas não congelou a construção de novas colônias judaicas, e vem se recusando a libertar mais do que algumas centenas entre os estimados 7.700 prisioneiros palestinos por acusações de suposto envolvimento em atos terroristas. Bush deverá reunir-se também com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, em 29 de julho, quatro após seu encontro com Abbas, e cada um dos dois lados espera que esses encontros possam romper o impasse através de concessões do outro lado nas negociações. Hoje mesmo, um comitê de ministros israelenses reuniu-se para debater sobre a libertação de algumas centenas de palestinos detidos, mas condicionaram a decisão sobre a inclusão de militantes dos grupos Hamas e Jihad Islâmica entre os prisioneiros a serem libertados a que o assunto seja discutido em uma reunião de todo o gabinete. Mas a estatal Rádio Israel citou uma informação da agência de segurança Shin Bet segundo a qual seu chefe, Avi Ditcher, teria dito aos ministros que a libertação de alguns membros dos dois grupos ativistas já foi acertada. E o porta-voz do Hamas, Abdel Aziz Rantisi, reiterou que o tema dos prisioneiros ?é uma linha vermelha para todos os palestinos?. Por sua vez, o ministro palestino da Informação disse que Abbas, após dois dias de reuniões no Egito e na Jordânia, deverá pressionar nos EUA por progressos na libertação de prisioneiros, na suspensão de medidas que impedem a livre circulação dos palestinos e no congelamento da construção de assentamentos judaicos.

Agencia Estado,

23 Julho 2003 | 10h08

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