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Soldados de forças de paz são acusados de abusar de crianças em zonas de conflito

Investigação mostra que soldados franceses exigiam serviços sexuais em troca água e biscoitos na República Centro-Africana 

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Jamil Chade, correspondente / Genebra,
O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2016 | 08h43

GENEBRA - Soldados de tropas internacionais de paz são acusados novamente de estuprar crianças em zonas de conflito. Na manhã desta sexta-feira, 29, a ONU confirmou que está investigando novas denúncias feitas por meninas na República Centro Africana dizendo que foram "sexualmente exploradas" por tropas internacionais. Os crimes teriam ocorrido em 2014, mas apenas agora estão sendo divulgados. 

Segundo o Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, "várias meninas" foram entrevistadas e disseram que foram "abusadas por soldados estrangeiros".

Quatro delas disseram que foram violentadas por soldados da operação de paz da União Europeia. Duas dessas disseram ter sido obrigadas a manter relações sexuais e outras duas teriam sido pagas. Ainda que a nacionalidade dos soldados não tenha sido oficialmente confirmada, as meninas entrevistadas afirmaram que eles seriam da Geórgia. Quando sofreram os abusos, as meninas tinham entre 14 e 16 anos.

Um outro garoto de nove anos e uma menina de sete foram questionados diante de alegações de que foram violentados por tropas francesas. "A garota disse que fez sexo oral com soldados franceses em troca de uma garrafa de água e biscoitos", diz a ONU em um comunicado. Tanto ela como o garoto disseram ter sido "abusados de forma repetida por vários soldados franceses".

Todos os casos foram registrados nas proximidades no acampamento de M'Poko, perto do aeroporto de Bangui. Zeid confirmou ter enttrado em contato com autoridades da Europa, Geórgia e França para debater o assunto e investigações locais foram iniciadas. 

Ainda que os casos não estejam relacionados com as forças de paz da ONU, outros casos envolvendo tropas das Nações Unidas foram citados nas entrevistas com as crianças. Zeid afirmou que isso também está sendo investigando. 

"Essas são acusações muito sérias e é fundamental que sejam investigadas", disse o alto comissário nesta manhã em Genebra. "Um número muito grande desses crimes continua sem uma punição e isso incentiva mais violações", insistiu.

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