REUTERS/Ismail Taxta
REUTERS/Ismail Taxta

Somália executa publicamente ex-porta-voz do Al-Shabab

Hassan Hanafi admitiu durante julgamento que matou pessoalmente um jornalista no país e ordenou o assassinato de outros cinco

O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 11h40

MOGADÍSCIO - Uma ex-autoridade de comunicação do grupo extremista islâmico somali Al-Shabab foi executado publicamente por um pelotão de fuzilamento do governo da Somália nesta segunda-feira, 11, por ordenar a morte de seis jornalistas, disseram autoridades da Justiça.

Hassan Hanafi, que organizava entrevistas coletivas para o grupo islâmico ligado à Al-Qaeda quando os militantes controlavam a capital Mogadíscio, admitiu durante seu julgamento que matou pessoalmente um jornalista na Somália. "Hoje, o tribunal completa a execução de Hassan Hanafi, que matou jornalistas", disse Abdullahi Hassan, vice-juiz do tribunal, a repórteres nesta segunda-feira.

Hanafi, usando máscara, foi preso a um poste antes de forças do governo abrirem fogo em campo de execução em um acampamento de treino da polícia, de acordo com testemunhas. Vários repórteres acompanharam a execução do condenado, detido em agosto de 2014 em Nairóbi, a capital do Quênia, e extraditado à Somália no fim do mesmo ano.

No sábado, dois membos do Al-Shabab haviam sido executados na capital somali depois de se declararem culpados de terem assassinado uma jornalista da televisão nacional no fim de 2015.

A Somália era um dos países mais perigosos do mundo para exercer o jornalismo: 45 repórteres foram assassinados desde 2007, quando o Al-Shabab teve acesso ao poder, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). A ONG Repórteres Sem Fronteiras situa a Somália no posto 172 de 180 países em sua classificação sobre a liberdade de imprensa.

O Al-Shabab busca impor sua estrita versão da lei islâmica na Somália, onde frequentemente ataca alvos do governo, assim como hotéis e restaurantes na capital. O grupo foi expulso de Mogadíscio por forças de paz da União Africana em 2011, mas controla diversas áreas rurais no sul da Somália. / REUTERS e AFP

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