AFP PHOTO / POOL / JOHN STILLWELL
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Suécia encerra investigação por acusação de estupro contra Assange

Polícia britânica afirmou que ele ainda pode ser preso caso deixe o prédio da embaixada do Equador em Londres, onde está abrigado; advogada de denunciante diz que cliente ficou chocada e considerou um escândalo o fim do processo

O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 07h57

ESTOCOLMO - Promotores suecos disseram nesta sexta-feira, 19, que encerraram a investigação sobre o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, por acusação de estupro. Contudo, a polícia britânica afirmou que ainda assim ele será preso se deixar o prédio da embaixada do Equador em Londres, onde está abrigado.

Assange, de 45 anos, se refugiou na embaixada em 2012 para evitar a extradição para a Suécia em razão da acusação de estupro, que ele nega. O fundador do WikiLeaks diz que teme ser entregue pela Suécia aos EUA para enfrentar acusações pela publicação de milhares de documentos secretos militares e diplomáticos americanos pelo seu site, em um dos maiores vazamentos de informações da história do país.

A procuradoria sueca informou em comunicado que decidiu encerrar sua investigação. Em um documento judicial, a procuradora-chefe, Marianne Ny, disse que não há mais caminhos para se levar o processo a diante. O Ministério Público deve conceder uma entrevista coletiva ainda nesta sexta-feira para explicar a decisão. O advogado de Assange, Per Samuelson, disse que a decisão da Suécia de arquivar a investigação é uma "vitória total".

Entretanto, a polícia de Londres afirmou em comunicado que Assange continua sendo alvo de mandado de prisão independentemente da decisão dos procuradores suecos. "A Corte de Magistrados de Westminster emitiu um mandado de prisão para Julian Assange depois que ele se recusou a comparecer ao tribunal em 29 de junho de 2012", disse a polícia. "O Serviço Metropolitano de Polícia é obrigado a cumprir esse mandado caso ele deixe a embaixada.”

Em novembro, após uma série de complicações no processo, Assange finalmente foi interrogado na embaixada de Londres por um promotor equatoriano na presença de magistrados suecos. Ele reiterou na ocasião que era inocente e as relações sexuais com a denunciante em Estocolmo foram consensuais.

Choque. A denunciante sueca que acusa Assange de estupro, considerou um escândalo o arquivamento do processo, está chocada e mantém as acusações, afirmou a advogada Elisabeth Fritz.

"É um escândalo que um suposto estuprador possa escapar da Justiça e evitar assim os tribunais (...) Minha cliente está chocada e nenhuma decisão de arquivar o caso pode mudar o fato de que Assange a violentou", escreveu a advogada em um e-mail enviado à AFP.

A denunciante, que tinha por volta de 30 anos no momento dos fatos, esperou em vão durante sete anos que o australiano, de 45 anos, fundador do WikiLeaks, fosse detido. / REUTERS e AFP

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