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REUTERS/John Stillwell/Pool

Suécia pedirá de novo para interrogar Assange em Londres

Para a procuradora sueca que investiga as acusações de estupro contra o fundador do WikiLeaks, a decisão da ONU de que a prisão dele na Embaixada do Equador é arbitrária não muda nada

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O Estado de S. Paulo

09 Fevereiro 2016 | 10h55

ESTOCOLMO - A procuradora sueca que investiga as acusações de estupro contra Julian Assange, Marianne Ny, afirmou nesta terça-feira, 9, que vai pedir novamente para interrogá-lo em Londres, sem levar em conta a opinião da ONU que julgou a prisão do fundador do site WikiLeaks arbitrária.

"No que diz respeito ao texto publicado na semana passada pela ONU, quero informar que isso não muda em nada minha apreciação anterior", afirmou Marianne em um comunicado. Ela acrescentou que está trabalhando em uma nova petição para interrogar Assange na Embaixada do Equador em Londres.

Na semana passada, Assange convocou o Reino Unido e a Suécia a acatar a decisão de um comitê legal da ONU. "Conseguimos uma vitória significativa", declarou o fundador do WikiLeaks, considerando ofensiva a reação do ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, que chamou de ridícula a decisão do Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária da ONU.

O comitê legal da ONU pediu na sexta-feira o fim da detenção arbitrária de Assange na Embaixada do Equador, alimentando as esperanças do australiano de deixar o local depois de três anos e meio. "Julian Assange foi detido arbitrariamente", afirmou o grupo de trabalho da ONU, convocando as "autoridades suecas e britânicas" a colocar fim a sua detenção e a respeitar seu direito de receber uma compensação.

No entanto, Londres insistiu que a decisão "não muda nada". Além de considerar a decisão "ridícula", Hammond disse que Assange é um "fugitivo". Estocolmo se manifestou na mesma linha, declarando que não está de acordo com a decisão do painel.

O ciberativista australiano está desde junho de 2012 na embaixada equatoriana, quando pediu asilo a Quito para evitar ser extraditado à Suécia. A procuradoria sueca quer interrogá-lo por um suposto estupro cometido em 2010, crime que ele nega.

Estocolmo e Quito chegaram em dezembro a um acordo para que o interrogatório ocorresse na embaixada, mas um mês depois a procuradoria sueca anunciou que a equatoriana havia rejeitado seu pedido por vício de forma.

O australiano teme que a Suécia seja apenas uma escala em direção ao seu destino final, os Estados Unidos, cujo governo gostaria de puni-lo por ter publicado milhares de documentos confidenciais sobre as guerras de Iraque e Afeganistão, assim como documentos privados das embaixadas americanas com afirmações pouco diplomáticas.

O homem que forneceu a ele muitos destes documentos, o soldado Chelsea Manning, cumpre uma condenação de 35 anos de prisão nos EUA. / AFP

 

 

 

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