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AP Photo/Darko Vojinovic

Suíça confisca dinheiro de refugiados para custear hospedagem

Apesar do protesto de ONGs, ativos acima de US$ 1 mil são transferidos ao Estado em troca de um recibo nos centros de recepção; Dinamarca estuda implementar lei semelhante

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Jamil Chade, Correspondente / Genebra,
O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2016 | 15h24

GENEBRA - Os refugiados que chegam às cidades suíças estão tendo seu dinheiro confiscado pelas autoridades sob a alegação de que precisam ajudar a pagar pelos custos da hospedagem. Qualquer ativo do refugiado acima de US$ 1 mil é levado pelo Estado, numa prática parecida ao que já começa a ser a realidade na Dinamarca. 

Percorrendo centenas de quilômetros e tendo de pagar até € 5 mil a grupos criminosos para que os levem da Turquia para a Europa, o pouco que resta nas mãos dos refugiados agora vai para os cofres de alguns dos países mais ricos do mundo. 

Ao chegar em território suíço, os refugiados recebem um formulário onde pode ser lido: "se você tiver uma propriedade com valor acima de US$ 1 mil quando chegar a um centro de recepção, você terá que abrir mão desses ativos financeiro em troca de um recibo". 

Apesar do protesto de ONGs, o governo suíço insiste que não vê nada de errado com a medida e alega que precisa financiar suas operações para a acolhida dos refugiados. Pela lei, os estrangeiros são obrigados a "contribuir sempre que possam" para o custo do processamento de seus pedidos de asilo e nas ajudas sociais. 

A regra também estabelece que se o refugiado optar por partir da Suíça durante os primeiros sete meses, ele recebe o dinheiro de volta. Até agora, os dados oficiais apontam que os suíços já coletaram US$ 210 mil. 

Mesmo aqueles que ganham o direito de ficar na Suíça com um visto de refugiados precisam colaborar. O estrangeiro ganha um prazo de dez anos para devolver US$ 15 mil aos cofres públicos da Suíça, valor estimado que foi gasto com ele. A cada ano, ele teria de abrir mão de 10% de seu salário. 

Já na Dinamarca, a proposta sob discussão é de que uma lei seja criada permitindo que o Estado confisque não apenas dinheiro, mas eventuais joias e bens dos refugiados para financiar sua acolhida. Para a ONU, a atitude pode dificultar a integração dos refugiados.

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