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MARTIAL TREZZINI|EFE

Suíços rejeitam lei que facilita expulsão de imigrante

Polêmicos cartazes de ovelhas pretas sendo chutadas para fora do país por ovelhas brancas foram espalhados pelas ruas do país

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Jamil Chade ,
O Estado de S. Paulo

28 Fevereiro 2016 | 15h39

GENEBRA – Com polêmicos cartazes de ovelhas pretas sendo chutadas para fora do país por ovelhas brancas espalhados pelas ruas, os suíços rejeitaram hoje, em um referendo, endurecer ainda mais as leis de imigração que permitiriam que estrangeiros que tenham cometidos crimes fossem expulsos automaticamente do território. 

Dos 24 cantões da Suíça, 19 votaram contra a iniciativa e 5 a favor, em um referendo que contou com uma participação recorde de 60% do eleitorado.

O partido que obteve a maioria dos votos nas últimas eleições nacionais, a União Democrática de Centro (UDC), foi quem lançou a iniciativa, distribuindo pelo país cartazes ultra-nacionalistas e xenófobos. Numa Europa com casos cada vez mais frequentes de partidos que usam a situação de estrangeiros para adotar leis anti-imigração, os grupos suíços de direitos humanos e mesmo a ONU condenaram as imagens. 

Protestos marcaram a campanha, com grupos de centro até mesmo desfilando com ovelhas coloridas pelas ruas de Genebra para criticar a posição do UDC de denunciar os estrangeiros como criminosos negros. 

Em 2010, um referendo no mesmo sentido já havia sido realizado e a iniciativa foi aprovada com 59% dos votos. Mas, quando a lei chegou ao Parlamento, acabou sendo suavizada. A expulsão do estrangeiro criminoso não seria automática e levaria em conta o entorno sócio econômico e as circunstâncias do fato. 

Agora, na lista de crimes que justificariam a expulsão estão assassinatos, abuso sexual, assalto a mão armada, tráfico de seres humanos, além de tráfico de drogas e abuso dos benefícios do sistema de seguro social e outras infrações menores. 

Mesmo aqueles que tenham nascido na Suíça, mas não tenham a nacionalidade local também estariam sujeitos à expulsão. Hoje, cerca de 400 mil pessoas vivem nessa situação. 

Segundo o governo, se a lei entrasse em vigor, cerca de 10 mil pessoas poderiam ser expulsas por ano da Suíça. 

Mas a iniciativa também poderia acirrar as relações com a UE. Pelas regras do Acordo de Livre Circulação entre o bloco e a Suíça, estrangeiros apenas podem ser expulsos se representarem uma "ameaça à segurança" do país. Crimes considerados como menores não poderiam ser motivo de uma expulsão. 

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