Supremo paquistanês apoia liberdade de acusado por atentado em Mumbai

Segundo tribunal, não há provas suficientes para culpar Hafiz Mohamed Said

EFE

25 Maio 2010 | 12h03

ISLAMABAD/NOVA DELI - O Supremo Tribunal do Paquistão falou nesta terça-feira, 25, a favor da liberdade do líder de um grupo islâmico acusado pela Índia pelo atentado de novembro de 2008 em Mumbai, em uma decisão que suscitou protestos imediatos do governo indiano.

 

Segundo informou a imprensa paquistanesa, o Supremo rechaçou dois recursos governamentais contra a libertação de Hafiz Mohamed Said, líder da organização Jamaat-ud-Dawa (JuD), proscrita após um atentado terrorista na cidade indiana.

 

"O governo falou em oferecer provas concretas" contra Said, expôs uma fonte judicial ao canal de televisão "Express TV".

 

Said havia sido preso em dezembro de 2009 pelas autoridades paquistanesas, no contexto de uma grave crise entre Índia e Paquistão após o atentado em Mumbai, no qual morreram 166 pessoas.

 

Paquistão então fez incursões nas sedes de organizações fundamentalistas, tais como a JuD, congelou contas e deteve uma série de pessoas, das quais sete foram processadas finalmente em novembro de 2009 por sua suposta participação no atentado.

 

Entre os processados se destaca o alegado "cérebro" - segundo o Paquistão - do atentado terrorista e comandante do grupo cexemir com base no Paquistão Lashkar-e-Toiba (LeT), Zakiur Rehman Lakhvi.

 

Said, entretanto, foi liberado de sua prisão domiciliar no dia 2 de junho de 2009, por ordem do Supremo Tribunal da cidade de Lahore, capital da província de Punyab, pois os juízes não acharam provas suficientes que justificassem sua detenção.

 

O governo do Paquistão, apelando a decisão do Tribunal Provincial, insistiu para a Índia para trazer mais provas contra Said.

 

Na sua decisão de hoje, a Suprema Corte também alegou falta de provas para rejeitar os recursos do governo federal e provincial de Punjabi.

 

"A Índia tem dado provas suficientes para o Paquistão sobre o papel e as atividades de Said", disse o secretário indiano das Relações Exteriores, Nirupama Rao, perante a imprensa no canal NDTV.

 

"Nós vemos Said como um dos mentores do ataque de Mumbai", reiterou o diplomata, que manifestou a "decepção" de seu Governo pelo fracasso do Supremo paquistanês.

 

"Esperamos que o Paquistão seja sensível às nossas preocupações e tome medidas significativas contra essa pessoa", afirmou Rao.

 

Said foi o fundador do Let e, quando este grupo foi proscrito, criou o JuD, uma organização "benéfica" que, segundo a Índia, era uma fachada da organização terrorista.

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