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Surto de Ebola chega ao Senegal; tumultos ocorrem na Guiné

DIADIE BA E SALIOU SAMB - REUTERS

29 Agosto 2014 | 18h 23

Incluindo as mortes, mais de três mil pessoas foram infectadas na Guiné, Libéria e em Serra Leoa, e o surto também chegou à Nigéria, onde seis pessoas morreram

Jane Hahn/AP
O primeiro caso do Senegal é um estudante da Guiné que estava sob vigilância em seu país, mas fugiu para o Senegal

O Senegal se tornou o quinto país do oeste da África a ser vitimado pelo pior surto de Ebola da história nesta sexta-feira, e tumultos irromperam em áreas remotas do sudeste da vizinha Guiné, onde o nível de infecção está aumentando rapidamente.

No sinal mais recente de que a epidemia do vírus, que já matou pelo menos 1.550 pessoas, está saindo de controle, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que os casos de Ebola aumentaram na semana passada no ritmo mais rápido desde seu surgimento em março na Guiné.

A epidemia vem desafiando os esforços de contenção dos governos, o que levou os Médicos Sem Fronteiras, instituição que encabeça o combate à doença, a pedir que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) assuma o encargo de detê-la.

Incluindo as mortes, mais de três mil pessoas foram infectadas na Guiné, Libéria e em Serra Leoa, e o surto também chegou à Nigéria, onde seis pessoas morreram.

O primeiro caso do Senegal é um estudante da Guiné. A ministra senegalesa da Saúde, Awa Marie Coll Seck, relatou que o homem buscou tratamento em um hospital da capital, Dacar, na terça-feira, ocultando o fato de que teve contato próximo com vítimas em seu país. Exames no Instituto Pasteur de Dacar revelaram que ele tem a febre hemorrágica.

Ele estava sob vigilância das autoridades de saúde da Guiné por causa de seu contato com vítimas do Ebola, mas fugiu para o Senegal, disse Seck.

Moradores de Dacar reagiram com raiva e preocupação. “Quando você está doente, por que sai de seu país para exportar a doença para outro?”, indagou um radialista.

Em uma tentativa de evitar a disseminação do vírus, na semana passada o Senegal proibiu voos de e para três dos países afetados e fechou sua fronteira com a Guiné. O país, que é um epicentro de agências da ONU e entidades de assistência, também recusou a liberação de voos de ajuda da ONU para nações contaminadas com o Ebola, o que as equipes humanitárias afirmam estar restringindo sua capacidade de reagir à epidemia.

CATÁSTROFE

O diretor do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) alertou nesta sexta-feira para uma “catástrofe” se uma ação emergencial não for adotada de imediato para reverter a tendência de aumento de casos.

“Há tempo de evitar uma catástrofe, mas só se ações imediatas e urgentes forem tomadas em todos os níveis”, afirmou Tom Frieden em Freetown, capital de Serra Leoa.

Na quinta-feira a OMS declarou que o número real de casos de Ebola pode ser quatro vezes maior que o relatado, e que um total de 20 mil pessoas podem ser infectadas antes do fim do surto.

Na cidade de Nzerekore, no sudeste remoto da Guiné, tumultos irromperam na noite de quinta-feira por causa dos boatos de que os assistentes de saúde contaminaram pessoas com Ebola, disseram moradores e uma autoridade da Cruz Vermelha.

O governo de Guiné afirma ter a epidemia sob controle, mas o número de casos disparou no sul, uma tendência que o governo atribui ao fato de as pessoas estarem cruzando as fronteiras com Libéria e Serra Leoa.

A OMS disse que conta com 490 milhões de dólares para debelar o surto ao longo dos próximos nove meses, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) declarou que pode fornecer mais apoio aos países afetados.

“Estamos trabalhando em um pacote de financiamento, sujeito à aprovação do comitê executivo do FMI, para ajudar Libéria, Guiné e Serra Leoa a mitigarem os impactos sócio-econômicos da epidemia", afirmou o representante da entidade na Libéria, Charles Amo-Yartey, nesta sexta-feira.

(Reportagem adicional de Emma Farge em Dacar, James Giahyue Harding em Monróvia e Umaru Fofana em Freetown)