REUTERS/Stringer
REUTERS/Stringer

Tailandeses pedem renúncia de vice-premiê após escândalo dos relógios de luxo

Internautas identificaram 25 peças usadas por Prawit Wongsuwan e não declaradas; a lei anticorrupção do país determina que políticos precisam declarar todos os seus bens

O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2018 | 14h13

BANGCOC - Uma petição que pede a renúncia do vice-primeiro-ministro da Tailândia conseguiu milhares de assinaturas nesta segunda-feira, 5, pressionando o segundo comandante da junta a deixar a política em meio a um escândalo envolvendo relógios de luxo e bens não declarados.

+ Ex-premiê tailandesa está exilada em Dubai, diz chefe da junta militar

O caso revelou sinais crescentes de descrença da população tailandesa e adicionou incerteza sobre se a junta convocaria uma eleição ainda neste ano, a qual deveria conduzir o país de volta à democracia.

+ Tatuagens ajudam a prender membro da Yakuza que se escondia na Tailândia

A Comissão Nacional Anti-Corrupção (NACC) colocou Prawit Wongsuwan, de 72 anos, ex-chefe do Exército e ministro da Defesa, sob investigação depois de aparecer em uma foto do gabinete usando um anel de diamante e um relógio de luxo em dezembro, provocando uma avalanche de críticas nas redes sociais.

Os internautas tailandeses identificaram 25 relógios de luxo que o ex-general usava, mas que não foram declarados. Wongsuwan disse que comprou os artigos de amigos, mas renunciaria se essa fosse a vontade do povo.

De acordo com a lei anticorrupção da Tailândia, os políticos empresários precisam declarar todos os seus bens. Nesta segunda-feira, uma petição da Change.org pedindo a renúncia de Wongsuwan já contava com mais de 61 mil assinaturas.

O ministro está em uma conferência sobre defesa em Cingapura. O porta-voz dele afirmou que o político está com “boa saúde”, sem mencionar o caso dos relógios. “Gostaria de confirmar que o general Prawit Wongsuwan, vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa está com boa saúde e pronto para se dedicar a cuidar da segurança do país”, disse o porta-voz Kongcheep Tantrawanich aos jornalistas.

O escândalo é uma questão delicada para o governo, cuja promessa de livrar a política tailandesa de corrupção foi fundamental para sua premissa de organizar um golpe de Estado em 2014.

Relembre: Ex-premiê da Tailândia é condenada à revelia

O primeiro-ministro, Prayuth Chan-ocha, que disse que uma eleição geral será realizada em novembro, pediu recentemente mais tempo no gabinete para preparar o país para a votação.

Sinais de impaciência crescente com a junta têm se manifestado nos vários protestos que pedem o retorno rápido do país à democracia e em desafio a uma determinação do governo contra a liberdade de reunião.

A NACC afirmou que concluirá as investigações ainda neste mês. / REUTERS

Mais conteúdo sobre:
Tailândia [Ásia] corrupção Relógio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.