AP Photo/Sakchai Lalit
AP Photo/Sakchai Lalit

Príncipe é proclamado novo rei da Tailândia

Maha Vajiralongkorn, de 64 anos, assumirá trono de seu pai Bhumibol Adulyadej, morto em 13 de outubro

O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2016 | 08h31

BANGCOC - O príncipe herdeiro Maha Vajiralongkorn foi proclamado oficialmente rei da Tailândia nesta quinta-feira, após uma declaração lida e transmitida por todas as redes de televisão tailandesas, mais de um mês depois da morte de seu pai, Bhumibol Adulyadej.

"Respondi favoravelmente aos desejos do falecido rei pelo bem de toda a população tailandesa", declarou o novo monarca após uma audiência com o presidente do Parlamento.

Esta proclamação encerra um período de incertezas e abre uma nova era para o reino, sem monarca desde 13 de outubro e o anúncio da morte de Bhumibol.

O príncipe, de 64 anos, havia surpreendido a todos ao pedir, poucas horas após a morte de seu pai, um "prazo" antes de chegar ao trono.

Para celebrar a ascensão ao trono do novo rei, cujo nome será Rama X, os templos do país fizeram soar seus tambores e gongos após a proclamação oficial no fim da tarde. Mas o novo rei não será coroado imediatamente. A cerimônia só pode ser realizada após a cremação de Bhumibol, que certamente não será realizada em menos de um ano.

O príncipe passava até agora a maior parte do tempo na Alemanha. E sua personalidade, aparentemente imprevisível, é alvo de debate, até mesmo entre conselheiros do palácio e generais no comando do governo, segundo analistas.

Sua imagem contrasta com a de seu pai. O monarca, que reinou por 70 anos, era considerado o "pai do país" pelos tailandeses, que o veneravam. Sua figura foi forjada durante décadas de propaganda, apoiada por uma lei muito rígida contra os crimes de lesa majestade.

Os poucos meios de comunicação, incluindo internacionais, citam esses casos com certa auto-censura, temendo cair na lei: as acusações, prisões e condenações podem ser relatadas, mas detalhar as acusações pode ser considerado uma violação da lei.

O último golpe de Estado no país, em maio de 2014, foi realizado em nome da salvaguarda da monarquia por um Exército ansioso para alcançar o cenário político com a aproximação da sucessão, em um reino muito dividido politicamente.

Desde que chegou ao poder, os processos judiciais aumentaram e as penas decretadas têm sido mais pesadas. Em meados de novembro, uma mulher tailandesa foi condenada a 150 anos de prisão por lesa-majestade.

Até então, a regência foi assegurada pelo conselheiro real mais influente, Prem Tinsulanonda, de 96 anos, líder da velha guarda conservadora, que deve permanecer forte se o príncipe decidir reinar à distância, a partir da Alemanha.

Dois polos irreconciliáveis se enfrentam há mais de uma década: os ultra-realistas de um lado e os partidários de Thaksin e Yingluck Shinawatra (ex-primeiros-ministros derrubados pelo Exército em 2006 e 2014).

Esta quinta-feira, 50.º dia de luto, foi marcado por grandes cerimônias budistas no Grande Palácio de Bangkok, onde o corpo do rei descansa, presididas por seu filho.

De acordo com a junta militar no poder, um milhão de pessoas visitaram nas últimas semanas a Sala do Trono para reverenciar o monarca morto. / AFP

 

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