Tailândia estende o toque de recolher até domingo

Retirada dos 'camisas vermelhas' e final do conflito deixam a capital com atmosfera desoladora

Efe,

20 Maio 2010 | 03h36

Desde o início dos protestos, em março, os conflitos em Bangcoc já somam 84 mortos e cerca de 1.800 feridos

 

BANGCOC - O Governo da Tailândia manterá até o próximo domingo o toque de recolher declarado em Bangcoc e em outras 23 províncias do nordeste e norte do país, em resposta à onda de saques e violência após a operação que desmontou o acampamento dos "camisas vermelhas" no centro da capital.

 

O porta-voz do centro de operações para a segurança, general Dittaporn Sasasmith, indicou nesta quinta-feira em entrevista coletiva que a medida estará em vigor a partir das 21h locais (11h de Brasília) até 5h do dia seguinte (19h em Brasília).

 

O porta-voz do Exército, coronel Sansern Kaewkamnerd, disse que a medida seguia sendo necessária apesar de já estar causando "muitas inconveniências" às pessoas.

 

Desde o início dos distúrbios pela operação do Exército que começou na última quinta-feira para cercar os manifestantes em seu acampamento, pelo menos 55 pessoas morreram e aproximadamente 450 ficaram feridas.

 

Com estas vítimas, chegou a 84 o número de mortos e a 1.800 o de feridos desde que começaram os protestos, em meados de março.

 

"É muito trsite"

 

Um panorama desolador de cinzas e destruição é o que sobrou hoje do que já foi o paraíso das compras no centro de Bangcoc, transformado em campo de batalha durante a remoção do acampamento dos "camisas vermelhas".

 

Vidros quebrados, escombros ainda fumegantes e veículos carbonizados evidenciam a ressaca dos distúrbios que ontem à noite ocorreram no cruzamento de shoppings de luxo, frequentados habitualmente por turistas e tailandeses endinheirados.

 

Na manhã desta quinta-feira quase não havia estrangeiros nas ruas, os poucos que circulavam eram jornalistas e curiosos que não queriam perder a oportunidade de ver de perto o terreno considerado o "marco zero" dos protestos, um dia após o fim dos confrontos.

 

"Sentimos muito com tudo isso que aconteceu. É tudo muito, muito triste", comenta a Agência Efe um turista americano recém-chegado à cidade.

 

Ao entrar no perímetro isolado, os soldados tailandeses no controle de segurança não estão muito preocupados com a segurança. Agora se ocupam em registrar com seus celulares imagens do que sobrou dos dias de enfrentamentos.

 

O que chama a atenção não é uma imagem em especial, mas o som da música pop que emitem os megafones de um caminhão da Polícia, uma estratégia que nunca chegou a incomodar os "camisas vermelhas", mas ainda é mantida.

 

Perto do "marco zero", é possível ver as centenas de tendas de campanha nas quais viveram durante dois meses os ativistas que queriam derrubar o Governo.

 

Nesse local é mais visível que os 3 mil manifestantes tinham intenção de ficar até o fim, pois não recolheram móveis e utensílios, já que foram retirados à força pelos militares.

 

Panelas, colchonetes, cadeiras de plástico, ventiladores e inclusive brinquedos de crianças ficaram abandonados. O outrora centro dos protestos se transformou agora em atração turística da cidade, inclusive para os moradores.

 

"Medo sempre se tem. Estamos esperando para ver o que vai acontecer", disse Joel, um jovem espanhol que há dois anos trabalha em Bangcoc para uma empresa de exportação.

 

"É bastante grave o que ocorreu aqui. É muito triste para todos os tailandeses. Não vejo uma solução imediata. Acho que as batalhas na rua não devem ocorrer mais, pelo bem da Tailândia e dos que vivemos aqui", conclui.

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