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Tailândia: líder de protestos pede debates ao vivo na TV

AE - Agência Estado

27 Fevereiro 2014 | 11h 33

O líder do movimento de protestos contra o governo na Tailândia, Suthep Thaugsuban, disse nesta quinta-feira estar disposto a negociar para encerrar a crise política se a primeira-ministra do país, Yingluck Shinawatra, estiver disposta a debater com ele ao vivo, apenas os dois, em todas as redes nacionais de televisão.

Yingluck, que está no norte da Tailândia, respondeu que o seu governo deseja negociar, mas que os manifestantes precisam parar de bloquear as eleições e outros processos constitucionais.

Suthep apresentou outras condições para retomar o diálogo com o governo. Entre eles, está a recusa em discutir a possibilidade de anistia para o irmão de Yingluck, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto por um golpe militar em 2006 e vive em autoexílio para evitar cumprir uma pena de dois anos referente a uma condenação por corrupção em 2008, que ele diz ter sido politicamente motivada.

"A coisa mais importante que todo mundo quer é o fim dos protestos e o avanço das eleições, caso contrário não poderemos responder às questões da comunidade internacional sobre como poderemos proteger a democracia", afirmou Yingluck, a repórteres, na sua cidade natal, Chiang Mai. Ela afirmou que o seu governo estava aberto a quase todas as abordagens, mas evitou responder a pergunta se estava disposta a realizar conversas televisionadas ao vivo. As eleições realizadas no início deste mês foram interrompidas por manifestantes e permanecem sem conclusão.

A pressão sobre Yingluck tem aumentado. A Comissão Anticorrupção da Tailândia convocou nesta quinta-feira a premiê para ouvir as acusações de negligência por supostamente gerenciar de forma inadequada o programa de subsídio do governo à produção de arroz. Os apoiadores de Yingluck bloquearam com correntes o acesso a um dos portões da sede da agência, por isso representantes legais da líder encontraram membros da comissão em outro lugar para realizar os procedimentos formais. Yingluck poderá enfrentar processo de impeachment pelo Senado ou acusações criminais se a Comissão Nacional Anticorrupção decidir que ela é culpada. A decisão da agência deve ser divulgada entre um a dois meses.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou preocupação crescente e

reiterou sua condenação à escalada de violência. Ele pediu que as partes "se empenhem o mais rápido possível em um diálogo significativo e inclusivo

para acabar com a crise e promover uma verdadeira reforma", segundo o porta-voz da ONU Martin Nesirky. "O secretário-geral expressa sua prontidão para ajudar as partes e a população tailandesa de qualquer maneira possível", afirmou.

O apoio ao governo de Yingluck está tomando um rumo mais sinistro em partes do norte do país, onde alguns dos apoiadores estão se preparando para montar milícias para revidar contra qualquer golpe futuro. "Estamos esperando que milhares de pessoas se inscrevam", disse Suporn Uttawong, um dos principais membros do movimento pró-governo "Camisas Vermelhas". Suporn, um ex-parlamentar de 49 anos, disse que espera inscrever até 200 mil voluntários em todo o nordeste da Tailândia a partir de sábado, em Maha Sarakham, uma das cidades mais pobres do país. "Se um dia nós tivermos que lutar e sacrificar as nossas vidas, então iremos fazer isso. Nós não queremos permitir qualquer tipo de golpe", disse Suporn. Os recrutas, segundo ele, receberão treinamento em táticas militares. Fonte: Associated Press.