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Taleban declara jornalistas ligados ao Ocidente como 'alvos' no Afeganistão

Grupo terrorista afirmou que veículos querem atentar contra a cultura islâmica e não são imparciais, por isso poderão ser atacados

O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2015 | 10h38

CABUL - O Taleban afirmou nesta sexta-feira, 16, que todos os meios de comunicação e jornalistas no Afeganistão que tenham vínculos com Ocidente e sejam "contrários ao islã" serão "alvos militares". Na segunda-feira, o grupo terrorista ameaçou dois canais de TV locais.

"Todos os escritórios da mídia, trabalhadores e jornalistas que trabalham para e são financiados pelo Ocidente se tornaram alvos militares firmes e serão eliminados. Todos os meios de comunicação que tenham base no exterior, mas têm jornalistas e filiais dentro do país também se tornaram alvos", disseram os insurgentes em comunicado publicado em seu site.

O grupo justificou a medida afirmando que "todo ataque contra a cultura islâmica e suas crenças deve ser respondido para cumprir com suas obrigações religiosas", ao assegurar que esses meios não são imparciais e defendem os interesses estrangeiros.

"Os mujahedins não devem temer ser acusados de crimes de guerra ou atentar contra a liberdade de expressão, porque é sua obrigação proteger as crenças islâmicas do mesmo modo que protegem seu território", alega o Taleban na nota.

Sobre o anúncio se tratar de um cerceamento à "liberdade de imprensa", eles defenderam que ela não existe em parte alguma do mundo e se trata simplesmente "de um slogan usado por governos tirânicos e especialmente pelo mundo ocidental".

O anúncio desta sexta é feito depois que os taleban declararam, na segunda-feira, "alvos militares legítimos" os canais afegãos de televisão Tolo News e a 1TV por atuarem como "ferramentas de propaganda dos EUA e do governo afegão".

Dois dias depois, os insurgentes reforçaram as ameaças ao manifestar que haviam tido muita paciência com a imprensa durante os últimos 14 anos de guerra e declararam que tornariam qualquer indivíduo que defendesse os infiéis em alvo militar.

Pelo menos 80 meios de comunicação encerraram suas atividades nos dois últimos anos no Afeganistão por conta da crise, retirada de financiamento internacional e pressões dos insurgentes. Tudo isso fez com que 4 mil pessoas fossem demitidas, de acordo com a NAI, o organismo de defesa dos direitos dos jornalistas no Afeganistão.

Com 32 milhões de habitantes, o país conta na atualidade com 350 jornais impressos, 160 emissoras de rádio e 100 canais de televisão. /EFE

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