REUTERS/Enrique de la Osa
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Taxa de natalidade em Cuba tem queda e governo incentiva casais a terem filhos

Muitas mulheres cubanas têm sido aconselhadas por médicos do governo a não praticarem aborto, além de notarem uma falta de produtos como preservativos e pílulas anticoncepcionais

O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2015 | 12h38

HAVANA - O casal Claudia Rodriguez e Alejandro Padilla estão em perfeita harmonia. Mas apesar da intimidade e do amor, constituir uma família não está no planejamento deles no momento. Embora o plano fosse casar e ter filhos, eles vão esperar até não precisarem mais dividir um pequeno apartamento com outras seis pessoas, ou talvez até conseguirem comprar fraldas. Em resumo, eles vão esperar um longo tempo.

“Você tem que levar em consideração o mundo em que vivemos”, disse Claudia, de 24 anos, que afirma já ter feito dois abortos para evitar um filho prematuramente. “A situação seria muito mais difícil com uma criança.”

Desde a década de 1970, a taxa de nascimentos em Cuba tem apresentado queda, o que contribui para uma redução da população. O problema é muito mais comum em nações ricas e industrializadas do que em países mais pobres.

Os mais jovens estão deixando a ilha, aproveitando a retomada das relações com os EUA. E aqueles que ficam em Cuba alegam estar relutantes em ter filhos, principalmente em razão das dificuldades de sustentar uma criança em um país onde o salário médio estadual é de apenas US$ 20 por mês.

Há um outro fator que altera a equação em Cuba: o aborto é legalizado, livre e comumente praticado. Muitos cubanos veem o ato como uma forma de controle de natalidade. Com isso, a taxa de abortos no país é de aproximadamente 30 em cada 1.000 mulheres em idade fértil.

Como uma forma de contornar o problema, o governo começou a circular panfletos que incentivam a gravidez e encorajam casais novos a terem filhos. Algumas mulheres dizem que nos últimos meses, médicos do governo têm desencorajado a ação, enquanto outras notaram uma escassez súbita de preservativos e pílulas anticoncepcionais nas farmácias.

“Não queremos nos pressionar”, disse Padilla. “Queremos viver nossas vidas, um dia de cada vez.” /NYT

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