Telas de Picasso e Braque furtadas em Paris valem R$ 220 mi

Sistema de segurança estava inativo no momento do crime, durante a madrugada de quinta

Agência Estado

20 Maio 2010 | 13h58

 

PARIS - Um único ladrão entrou no Museu de Arte Moderna de Paris e levou obras de arte avaliadas em R$ 224 milhões, entre elas trabalhos de Henri Matisse e Pablo Picasso, informou a Prefeitura da capital francesa nesta quinta-feira, 20. Quadros de Picasso, Modigliani, Matisse, Braque e Fernand Léger foram levados entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira.

 

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"Segundo estimativas da gerência do Museu de Arte Moderna, o valor do quadros roubados fica entre 90 milhões de euros e 100 milhões de euros", disse um porta-voz da Prefeitura de Paris, que é responsável pelo museu. A polícia e fontes judiciais haviam dito anteriormente que as obras valiam 500 milhões de euros (R$ 1,13 bilhão), mas especialistas em artes disseram que isso é pouco provável.

 

 

"O Picasso deve valer cerca de 45 milhões de euros (R$ 102 milhões) e o Braque, cerca de 15 milhões de euros (R$ 34 milhões)", disse Didier Rykner, editor da revista especializada The Art Tribune. "Mas estamos falando sobre valores teóricos. As obras não têm valor de mercado porque não se poderia vendê-las abertamente. Elas são muito bem conhecidas."

 

Imagens gravadas por uma câmera de segurança do museu revelaram que uma pessoa entrou no prédio por uma das janelas. Segundo a polícia, o homem estava vestido de preto e usava uma máscara. As imagens mostram que ele cortou as telas com uma espécie de estilete e saiu do museu com as obras enroladas. A falta das pinturas só foi descoberta pouco antes da abertura do museu, nesta quinta-feira. A importante atração turística, localizada perto da Torre Eiffel, foi isolada para que a polícia procurasse pistas sobre quem está por trás do assombroso roubo que fez surgirem perguntas sobre a segurança dos museus na capital francesa.

 

O sistema de segurança do museu, inclusive algumas das câmeras de vigilância, estiveram quebrados nos últimos dias, segundo um policial. O vice-secretário de Cultura de Paris, Christophe Girard, confirmou que o sistema estava fora de operação no momento do roubo. Uma unidade especial da polícia está investigando o caso. Segundo especialistas em arte, os quadros furtados são considerados invendáveis porque são muito famosos. Acredita-se que o crime possa ter sido encomendado por algum colecionador.

 

Girard afirmou que as pistas encontradas até agora apontam para uma ação de roubo "bastante sofisticada". O vice-secretário informou que três guardas faziam a vigilância do museu na noite do roubo, mas disse que nenhum deles viu nada suspeito.

 

Além dos trabalhos de Henri Matisse e de Pablo Picasso, quadros de Georges Braque, Férdinand Leger e Amedeo Modigliani também foram retirados das paredes do museu da cidade, um dos mais visitados da capital francesa. Entre as pinturas roubadas então "O Pombo e as Ervilhas", quadro cubista de Picasso, pintado pelo artista espanhol em 1912 e "A Pastoral" de seu contemporâneo francês Henri Matisse, de 1905. As outras eram "A Oliveira Próxima a Estaque", de Georges Braque, "A Mulher com Leque", de Modigliani e "Natureza Morta com Candelabros" de Fernand Léger.

 

O prefeito parisiense, Bertrand Delanoe, disse que ficou chocado com o roubo, que ele chamou de "um intolerável ataque à herança cultural de Paris". A França tem registrado um número crescente de obras de arte nos últimos meses. Localizado na zona oeste da cidade, o Museu de Arte Moderna é gerenciado pelas autoridades municipais e abriga mais de 8 mil obras de arte do século 20. As informações são da Dow Jones.

 

Matéria alterada às 17h30 com novas informações

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