Tensão entre vizinhos é regra e não exceção, dizem analistas

Apesar de relações estarem em ponto crítico, guerra é considerada improvável por especialistas da região

, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2010 | 00h00

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Apesar da elevação da temperatura entre as duas Coreias, a possibilidade de uma guerra aberta na região é considerada improvável por analistas sul-coreanos ouvidos ontem pelo Estado, segundo os quais a tensão é a regra e não a exceção no convívio bilateral.

"A guerra seria uma catástrofe para as duas Coreias", disse Koo Kap-woo, da Universidade de Estudos Norte-Coreanos, de Seul. Segundo ele, a história recente é marcada por confrontos sérios entre os dois lados da península que nunca se transformaram em um conflito militar aberto.

Lee Sang-hyung, do Instituto Sejong, observou que os sul-coreanos vivem há mais de meio século sob a ameaça de ataques do Norte, nunca concretizados.

Na avaliação de ambos, uma eventual guerra provocaria pesadas baixas dos dois lados da fronteira. No entanto, segundo Lee, quem teria mais a perder no conflito é a Coreia do Sul. O país é mais desenvolvido economicamente, com um PIB que deverá fechar 2010 em quase US$ 1 trilhão, 25 vezes mais que os US$ 40 bilhões estimados para a Coreia do Norte. Outro problema é que metade da população da Coreia do Sul está concentrada em Seul e imediações, o que faz com que um eventual ataque à cidade tenha potencial devastador.

Além disso, Pyongyang afirmou no ano passado ter feito testes bem-sucedidos com bombas nucleares, que poderiam ser usadas contra o Sul, que não possui armas atômicas, mas conta com a proteção dos EUA.

Mesmo descartando a possibilidade de confronto, os dois analistas acreditam que a região viverá momentos de grande instabilidade no futuro próximo, que podem levar a choques isolados.

Dentro de duas semanas, a Coreia do Sul promete retomar a "guerra psicológica" contra o Norte, com a utilização de alto-falantes na fronteira entre os dois países para a transmissão de propaganda contra o regime comandado por Kim Jong-il. Pyongyang reagiu à decisão com a ameaça de usar artilharia para destruir qualquer aparelho que divulgue slogans contra seu governo.

A Coreia do Norte sofrerá com a suspensão do comércio bilateral anunciado na segunda-feira pela Coreia do Sul, país com o qual teve superávit de US$ 333 milhões no ano passado, de acordo com o Korea Development Institute. Esse superávit é uma fonte vital de moeda estrangeira para financiar o governo de Pyongyang e suas importações, feitas principalmente da China. / C. T.

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