Pouria Pakizeh/AFP
Pouria Pakizeh/AFP

Passa de 500 número de mortos em terremoto no Oriente Médio

Terremoto mais mortífero do ano destrói cidades em região que sofre há 40 anos com conflitos armados e desastres naturais

O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2017 | 21h06
Atualizado 14 Novembro 2017 | 10h52

O mais mortífero terremoto de 2017 deixou ao menos 530 mortos, 8 mil feridos e 70 mil desabrigados na fronteira entre o Irã e o Iraque, região que sofre há 40 anos com guerras, conflitos armados e outros desastres naturais. O número de vítimas foi atualizado na manhã desta terça-feira, 14, pela agência de notícias estatal do Irã. O governo informou que encerrou as buscas na província de Kermanshah, no oeste do país. 

+Terremoto de magnitude 7,3 na fronteira entre Irã e Iraque mata mais de 400

Duas das cidades mais afetadas pelo terremoto de 7,3 graus na escala Richter ficam uma ao lado da outra, separadas pelas montanhas de Zagros, na fronteira entre os dois países. No local, vivem ao menos 1,8 milhão de pessoas. Há 40 anos, as cidades da fronteira, onde fica o Curdistão iraniano e iraquiano, tentam se reerguer de conflitos.

Sarpol-e Zahab, a cidade mais afetada, foi uma das primeiras a ser invadida pelas tropas iraquianas de Saddam Hussein na Guerra Irã-Iraque, em 1980, o conflito que durou oito anos e deixou um milhão de mortos. Com cerca de 35 mil habitantes, Sarpol-e Zahab ficou em ruínas com o tremor do fim de semana, com bairros inteiros destruídos e carros esmagados pelos escombros. 

O terremoto começou às 21h18 de domingo (15h48 em Brasília) e o epicentro foi em Halabja, do outro lado da fronteira, na região do Curdistão iraquiano. Halabja também sofreu com a Guerra Irã-Iraque e ficou conhecida por um ataque com gás mostarda lançado por Saddam, em 1988, que deixou cerca de 5 mil mortos – o mais letal ataque por armas químicas contra uma população civil da história. 

Depois, durante a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, a cidade se tornou centro do combate entre tropas americanas e forças leais a Saddam. Nos últimos quatro anos, Halabja foi a linha de frente dos curdos contra os jihadistas do Estado Islâmico.

O terremoto matou apenas 7 pessoas na cidade, mas ao menos 500 ficaram feridas, a infraestrutura foi destruída e dezenas de prédios desabaram. “De repente, o tremor começou e as paredes desabaram sobre minha irmã e meu pai”, disse à BBC Mohamed Khosrow, que vive em um vilarejo perto do epicentro do terremoto. “Covas se abriram e muitos corpos saíram do chão. Muitos vilarejos vizinhos desapareceram.” 

Moradores do lado iraniano, revoltados, reclamaram da demora no socorro às vítimas e culparam a qualidade dos edifícios populares construídos durante o governo de Mahmoud Ahmadinejad, há cerca de dez anos. Na época, o governo iraniano construiu centenas de habitações populares no noroeste do país, em um programa de habitações para a população de baixa renda. “O prédio desabou assim que eu coloquei o pé para fora”, disse Kokab Fard, dona de casa de 49 anos, à agência Associated Press. “O prédio era novo. Outros mais antigos estão de pé até agora.”

Até a segunda-feira, os moradores cavavam com as próprias mãos para tentar encontrar sobreviventes entre os escombros. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ordenou que todas as forças de segurança do país se deslocassem para região para ajudar no resgate. Jornalistas estrangeiros e locais estão proibidos de seguir para a região.

Moradores de Darbandikhan, no Iraque, a cerca de 10 quilômetros da fronteira com o Irã, temem o rompimento da represa do Rio Diyala. O tremor danificou toda a estrutura da barragem. “Há rachaduras na horizontal, na vertical e na rua que dá acesso à barragem. Pedaços da represa rolaram rio abaixo”, afirmou Rahman Hani, diretor da represa. / NYT, REUTERS, AFP, AP e EFE

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