Terremoto é desculpa para fraudes do governo, diz opositor

Evans Paul, principal líder da oposição haitiana

, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2010 | 00h00

PORTO PRÍNCIPE

Um dos opositores haitianos mais ativos é o ex-prefeito de Porto Príncipe Evans Paul, também conhecido como K-plim. Foi um dos aliados do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide e presidiu o Comitê de Unidade Democrática (KID, em creole), partido pelo qual concorreu às eleições de 2006. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado:

Por que o sr. diz que Préval está dando um golpe de Estado?

Primeiro, porque foi a ONU quem começou a falar que talvez as eleições de novembro não aconteçam na data prevista. Isso é uma interferência inadmissível. Estamos em dificuldades, mas ainda somos um país soberano. Nosso Conselho Eleitoral foi criado com caráter provisório para agir até fevereiro de 2009, mas se tornou permanente por uma decisão inconstitucional. Somos reprimidos pela polícia sempre que saímos às ruas em comícios.

O presidente estendeu o estado de emergência por 18 meses. De que modo isso afeta a liberdade de a oposição se manifestar?

Isso transforma o período pré-eleitoral numa campanha de um partido só, do governo. Interfere na nossa liberdade de manifestação e dá ao Executivo a possibilidade de usar o dinheiro público sem controle externo. O tremor acabou como uma desculpa para falcatruas.

Como o sr. vê o papel do Brasil nesse contexto?

O Brasil nunca interferiu na política interna e reconhecemos a importância que os militares brasileiros tiveram no país. Entretanto, é claro que a presença de tropas estrangeiras é algo que atenta contra o patriotismo de qualquer pessoa lúcida. / J.P.C.

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