AFP | 19.05.2016
AFP | 19.05.2016

Terrorismo é principal suspeita em queda de Airbus egípcio

Avião que fazia rota entre Paris e Cairo desapareceu dos radares quando se aproximava do espaço aéreo do Egito

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

20 Maio 2016 | 05h00

Um atentado terrorista é a causa mais provável para explicar a queda do voo MS-804 da companhia aérea EgyptAir, que desapareceu ao realizar o voo Paris-Cairo na madrugada de ontem. A avaliação foi feita pelo ministro egípcio da Aviação Civil, Sherif Fathy, após a confirmação da queda do Airbus A320. Um total de 66 pessoas - 56 passageiros, 3 seguranças e 7 tripulantes - morreram na tragédia. 

Entre as vítimas havia 30 egípcios e 15 franceses, além de 2 iraquianos, 1 britânico, 1 belga, 1 português, 1 canadense, 1 argelino, 1 saudita, 1 sudanês, 1 chadiano e 1 kuwaitiano. 

O desaparecimento do avião dos radares foi registrado às 3h29, no horário local - 21h29 de Brasília -, no espaço aéreo sobre a ilha grega de Karpathos. O avião, que não tinha apresentado nenhum problema mecânico, elétrico ou eletrônico em sua última manutenção, havia deixado o Aeroporto de Roissy-Charles De Gaulle, em Paris, e trafegava em velocidade de cruzeiro a 37 mil pés de altitude em direção ao Cairo.

Pouco antes de ingressar no espaço aéreo sobre as águas territoriais egípcias, a cerca de 200 quilômetros da costa, o avião não respondeu mais aos contatos das autoridades aeroportuárias gregas e passou 40 minutos em silêncio, sem emitir um alerta de emergência ou advertências automáticas de acidente iminente. 

Segundo o Ministério da Defesa da Grécia, a cerca de 50 ou 60 quilômetros da costa egípcia, a aeronave perdeu de forma brusca 22 mil pés de altitude (cerca de 6,7 quilômetros), realizando duas manobras anormais: uma curva de 90 graus à esquerda, seguida de um movimento de 360 graus à direita, caindo em forma de espiral. A sequência, segundo o ministro Panos Kammenos, indica que o aparelho estava fora de controle quando caiu. As razões pelas quais a tripulação manteve o silêncio, realizou as manobras e não emitiu alertas de acidentes ainda eram desconhecidas até a noite de ontem. 

A perda de contato com a aeronave mobilizou, desde então, as autoridades do Egito, da Grécia, da França, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, que enviaram navios, helicópteros e aviões para a área em que balizas de localização continuavam a enviar sinais. No meio da tarde, autoridades egípcias e gregas confirmaram a localização de destroços - assentos e coletes salva-vidas - ao largo da Ilha de Karphatos, ao sul de Creta, em uma região do Mar Egeu com até 2,6 mil metros de profundidade. No fim da tarde, no entanto, autoridades negaram que os destroços pertencessem ao A320 da EgyptAir.

Em função da tragédia, uma reunião ministerial de crise foi convocada pelo presidente da França, François Hollande, para discutir a hipótese de atentado. Tanto a França quanto o Egito são alvo do grupo jihadista Estado Islâmico - e os dois países são parceiros políticos e militares na luta contra o extremismo islâmico. “Nenhuma hipótese está descartada, nenhuma está sendo privilegiada”, disse Hollande em pronunciamento. “Quando soubermos a verdade, teremos de tirar todas as conclusões, que seja um acidente ou um atentado terrorista.”

Enquanto a França demonstrou cautela, o Ministério da Defesa do Egito foi mais enfático. Segundo suas investigações preliminares, os indícios apontam para o risco concreto de um atentado - apesar da falta, até então, de grupos reivindicando a possível autoria. “Se analisamos corretamente as informações, a possibilidade de um ataque terrorista é mais elevada que a de problema técnico”, afirmou o ministro Sherif Fathy. 

Entre as hipóteses aventadas, estão a de uma bomba acionada no interior da aeronave, um sequestro com invasão da cabine - ainda que houvesse três seguranças a bordo - e falha mecânica, elétrica ou eletrônica. Em relatório, a Airbus evitou uma análise das hipóteses, mas destacou a fabricação relativamente recente do avião, entregue à Egyptair em 2003 e com 48 mil horas de voo.

Famílias. Em Paris, parentes de vítimas foram reunidos em uma sala de crise organizada pelo governo francês em um hotel no Aeroporto Charles De Gaulle. Segundo Stéphane Gicquel, secretário-geral da Federação Nacional de Vítimas de Atentados e Acidentes Coletivos, cerca de 50 pessoas, de mais de 10 famílias, procuraram apoio psicológico no local.

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