Terrorista seria espião, diz imprensa francesa

Mohamed Merah, terrorista de 23 anos autor dos atentados em Toulouse e Montauban que deixaram sete mortos, não teria sido preso antes pela polícia da França por ser informante de um dos serviços secretos do país. A hipótese vem sendo levantada pela imprensa da França e da Itália e foi reforçada por um ex-diretor de agência de espionagem.

PARIS, O Estado de S.Paulo

30 Março 2012 | 03h06

A revelação, até aqui considerada "absurda" pelo Ministério do Interior, explicaria como um jovem de classe baixa sem relação direta com redes terroristas teria viajado várias vezes ao Egito, à Turquia, à Síria, ao Líbano, à Jordânia, a Israel, ao Afeganistão e ao Paquistão.

Merah teria viajado a todos esses países no intervalo de dois anos, entre 2010 e 2011. Nesse período, teria mantido encontros periódicos com um agente da Direção-Geral de Segurança Exterior (DGSE), o serviço secreto externo do país. Logo depois dos crimes, o diretor da agência, Bernard Squarcini, afirmou que o jovem terrorista era vigiado por suspeita de ligações com o extremismo islâmico. Dias mais tarde, o mesmo executivo afirmou que Merah tinha atuado sozinho.

A hipótese de colaboração entre o jovem francês e o serviço secreto também foi apontada por Yves Bonnet, ex-diretor da Direção de Vigilância do Território (DST), serviço secreto interno extinto em 2008. "Merah era conhecido dos serviços secretos não por ser radical islâmico, mas porque era um correspondente do serviço de informação interior", disse ao jornal Dépêche du Midi.

Ontem, após tentar obter a realização do sepultamento do terrorista na Argélia, terra de seus pais, e ter o pedido negado pelo governo local, o Ministério do Interior providenciou um enterro discreto em um cemitério da periferia de Toulouse, sob protestos do prefeito da cidade. / A.N.

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