Achmad Ibrahim/AP
Achmad Ibrahim/AP

Terroristas voltam a usar crianças em ataque com bomba na Indonésia

Menina de 8 anos sobreviveu ao atentado de uma família de extremistas contra base policial; no domingo, 13 pessoas morreram em explosões

O Estado de S.Paulo

14 Maio 2018 | 01h07
Atualizado 14 Maio 2018 | 15h56

SURABAIA, Indonésia - Nesta segunda-feira, 13, quatro terroristas suicidas de uma mesma família que estavam a bordo de duas motocicletas feriram vários policiais e civis indonésios do lado de fora de uma base policial em Surabaia, segunda maior cidade da Indonésia, um dia após membros de outra família participante de um grupo terrorista praticaren ataques contra igrejas cristãs na mesma cidade, o que provocou 13 vítimas. O ataque desta segunda-feira deixou quatro oficiais e seis civis feridos. Os quatro terroristas morreram, mas, uma garota de 8 anos que estava com eles, sobreviveu.

"Claramente é um atentado suicida", afirmou porta-voz da polícia de East Java, Frans Barung Mangera. "Não podemos abrir todos os detalhes ainda porque ainda estamos identificando vítimas no local e a cena do crime está sendo investigada", completou.

A explosão ocorreu às 8h50 da manhã no horário local (22h50 do domingo, no horário de Brasília). Imagens da CCTV, mostradas na televisão da Indonésia, mostraram os terroristas de moto, chegando a um posto de controle ao lado de um carro e explodindo quando oficiais se aproximaram.

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Segundo o porta-voz da polícia, Tito Karnavian, o atentado é mais um a envolver membros com laços familiares. Neste domingo, uma família - pai, mãe, dois filhos de 16 e 18 anos, e duas meninas de 9 e 12 anos - foi responsável por matar pelo menos 13 pessoas em ataques suicidas em três igrejas em Surabaya, que foram reivindicados pelo Estado Islâmico. Ainda não está confirmada a ligação entre os atentados, segundo o chefe da Polícia Nacional, Tito Karnavian. O grupo era ligado ao movimento radical Jemaah Ansharut Daulah (JAD), inspirado no EI.

No ataque desta segunda-feira, todos os homens-bomba foram a óbito no momento do atentado, mas, uma menina de apenas oito anos que estava com eles, foi arremessada no momento da explosão e sobreviveu. Ela foi encaminhada para o hospital. Segundo as fontes oficiais, ainda não se sabe a identidade dos agressores, apenas que eles pertenciam ao mesmo círculo familiar.

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Segundo a imprensa local, a família que explodiu as igrejas neste domingo passou pela Síria, para onde viajaram centenas de indonésios nos últimos anos, com o objetivo de combater nas fileiras do EI. A mãe, identificada como Puji Kuswati, e suas duas filhas vestiam véus e túnicas e carregavam bombas ao redor da cintura quando entraram na Igreja Kristen Indonesia Diponegoro para detonar a carga, relatou Karnavian.

Autoridades da Indonésia estabelecem o máximo alerta nas semanas antes do Ramadã, que começa em um dia, pois são datas escolhidas por jihadistas para cometer ataques./AFP e Reuters

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