REUTERS/Henry Romero
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Tillerson chega ao México para a etapa mais dura de seu giro pela América Latina

Em encontro com o presidente Enrique Peña Nieto, secretário de Estado americano falará sobre imigração, criminalidade e o Tratado de Livre Comércio da América do Norte

O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2018 | 11h20

CIDADE DO MÉXICO - Em seu giro pela América Latina, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, terá uma reunião nesta sexta-feira, 2, com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, talvez o líder mais atacado pelo mandatário Donald Trump.

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Em sua primeira viagem à América Latina desde que assumiu o Departamento de Estado, o ex-empresário do petróleo falará sobre o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN), além de imigração e criminalidade com Peña Nieto.

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Trump qualifica o TLCAN, em vigor desde 1994 entre EUA, México e Canadá, como “talvez o pior acordo na história do mundo”, acusa a imigração ilegal pela criminalidade nos EUA e insiste em construir um muro na fronteira com o México.

Peña Nieto precisa lidar com uma dura eleição presidencial presidencial em julho, na qual seu partido - o PRI - parece ter poucas oportunidades de reter o poder, a crescente violência ligada ao narcotráfico e as pressões para que não ceda muito antes dos EUA na renegociação do TLCAN.

No encontro de Tillerson com Peña Nieto também estará presente a canadense Chrystia Freeland.

O secretário de Estado americano tem um ponto de vista mais otimista que Trump quanto ao TLCAN. “Sou texano, ex-empresário do setor de energia e rancheiro. Entendo o quão importante é o acordo para a nossa economia”, disse ele na quinta-feira a estudantes da Universidade do Texas, em Austin.

“Mas não deve ser surpresa que um acordo de 30 anos, feito antes da era digital, da economia digital e da China se tornar a segunda maior economia do mundo, precisa ser modernizado”, disse ele.

No fim de fevereiro, haverá outra rodada de negociações. Canadá e México acreditam que podem preservar o tratado.

Tillerson também deve conversar com autoridades mexicanas sobre segurança e imigração, e ressaltar as advertências de Trump sobre a necessidade de combater os violentos cartéis de drogas. “A ameaça mais imediata para nosso hemisfério são as organizações criminosas transnacionais”, afirmou ele. “Em sua busca por dinheiro e poder, elas deixam morte e destruição no caminho.”

Foco

Antes de partir para o México, o secretário de Estado falou sobre a importância de focar em crescimento econômico, segurança e democracia para as Américas, e alertou para o papel “alarmante” que China e Rússia estariam assumindo na região.

“A América Latina não precisa de novos poderes imperiais que só buscam beneficiar o seu próprio povo”, disse Tillerson. “Dividimos uma história e uma cronologia que se entrelaçam. Nossas nações ainda refletem o otimismo do novo mundo (...). E o mais importante, compartilhamos os mesmos valores democráticos, valores que são o centro daquilo em que acreditamos, mais do que a cor do passaporte.”

Ele também citou a Venezuela, um dos aliados mais próximos da Rússia e da China, ressaltando a profunda crise política e econômica que se vive no país, que conta com as maiores reservas de petróleo do mundo.

“O regime corrupto e hostil de Nicolás Maduro na Venezuela se prende a um sonho irreal, uma visão da região que decepcionou seu povo”, disse Tillerson.

Ele ainda passará por Peru, Colômbia e Jamaica, e retornará na quarta-feira a Washington. / AFP

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