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Telesur / AFP

Timochenko descarta que acordo de paz seja assinado no dia 23 de março

Líder das Farc disse que negociação está estagnada em razão de uma crise que surgiu nas discussões sobre as áreas de localização dos guerrilheiros, e pediu ações por parte dos EUA

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O Estado de S. Paulo

14 Março 2016 | 11h08

HAVANA - O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño, conhecido pelo codinome “Timochenko”, descartou no sábado que se possa assinar algum acordo com o governo no dia 23 de março por divergências sobre as áreas de localização dos guerrilheiros.

Depois que o presidente Juan Manuel Santos e os negociadores das Farc admitiram que é impossível assinar a paz na data estabelecida há seis meses, Timochenko afirmou que estavam "muito avançados" dois acordos sobre o cessar-fogo bilateral e definitivo e o desmonte do paramilitarismo que esperavam apresentar nesse dia.

"Já havíamos falado que era impossível chegar ao acordo final em 23 de março, mas podíamos conseguir algo e daí melhor que o cessar-fogo bilateral e definitivo, quando podíamos anunciar à Colômbia: terminou a guerra", afirmou Timochenko em Havana, onde se desenvolvem os diálogos de paz há mais de três anos.

A negociação, segundo ele, está agora estagnada em razão de uma crise que surgiu nas discussões sobre as áreas de localização, nas quais se concentrarão os guerrilheiros durante o cessar-fogo bilateral. O líder afirma que uma proposta do governo sobre o assunto foi o que incomodou as Farc, porque entendem que lhes direciona "à rendição e à entrega".

Para a guerrilha, o documento, apresentado em 6 de março, representa uma volta às posições de três anos atrás porque "era quase o documento inicial" que o governo propôs na fase exploratória prévia aos diálogos de paz.

Mesmo assim, Timochenko garantiu que a negociação "não parou" e assegurou que as Farc farão todo o possível para "seguir adiante" na negociação e buscar uma saída para o conflito. "Na mesa de Havana vivemos de crise em crise até o acordo final, sempre foi assim", concluiu.

EUA. O líder da guerrilha citou também “um gesto” dos EUA para impulsionar ainda mais o processo de paz na Colômbia, porque “eles sabem que podem fazer muito mais pela paz” no país. “Acredito que estamos em um momento em que os EUA poderiam fazer algo que desse impulso a esse processo. Está nas mãos deles.”

Timochenko não especificou que gesto seria esse, e quando questionado se estava se referindo à libertação do guerrilheiro conhecido como Simón Trinidad, que cumpre pena no território americano, se limitou a responder “eles sabem”.

Trinidad, cujo nome verdadeiro é Juvenal Ovidio Ricardo Palmera, foi extraditado em dezembro de 2004 aos EUA e no início de 2007 foi condenado a 60 anos de prisão pelo sequestro de três cidadãos americanos.

Desde o início das conversas de paz em Havana, as Farc têm solicitado a presença de Trinidad na mesa de diálogos, já que é considerado uma pessoa com grandes poderes de negociação, mesmo estando preso. /EFE

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