Chase Stevens/AP
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Com 17 armas, aposentado mata 59 em show, no maior ataque a tiros dos EUA

De um quarto do 32º andar de um hotel, Stephen Paddock, de 64 anos, conhecido como um idoso reservado e sem registro de antecedentes criminais, descarrega arsenal contra público de 22 mil pessoas que se divertia com música country e fere mais de 500

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washinton, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 04h30
Atualizado 02 Outubro 2017 | 23h32

Os primeiros disparos pareciam fogos de artifício, mas em poucos segundos a plateia de 22 mil pessoas que assistia a um festival de música country em Las Vegas percebeu que era alvo de mais um atirador nos EUA, no mais devastador ataque do tipo na história do país. Pelo menos 59 foram mortos e 527 ficaram feridos. O assassino disparou do 32.º andar de um hotel vizinho ao show. Ele foi encontrado morto em um quarto com 17 armas. 

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Na noite desta segunda-feira, 2, o FBI e a polícia de Nevada ainda investigavam as razões que levaram o aposentado de 64 anos Stephen Paddock a se hospedar no hotel Mandalay e abrir fogo de maneira indiscriminada contra a multidão. O atirador vivia em um condomínio para a terceira idade em Mesquite, a 130 km de Las Vegas, com sua namorada de 62 anos, Marilou Danley, que estava fora dos EUA no dia do crime. Ela está visitando Tóquio e chegou a ser considerada suspeita, mas logo a polícia a desvinculou do caso. 

Pelo menos 17 armas foram encontradas no quarto, além de centenas de cartuchos de munição. Outras 18 armas, mais munição e explosivos foram localizados na casa de Paddock, em Mesquite, de acordo com a polícia. Investigadores encontraram também produtos que poderiam ser usados na fabricação de explosivos. O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) chegou a reivindicar a autoria do ataque, mas autoridades americanas disseram não haver vínculo aparente.

Sobreviventes descreveram uma cena de horror, na qual tentavam se proteger dos tiros, sem saber de onde eles vinham. Mark Gray, jornalista da revista Rolling Stone, escreveu que os primeiros disparos vieram quando Jason Aldean, uma das estrelas da noite, cantava. Como muitos na plateia, ele pensou que eram fogos de artifício.

“Houve 30 segundos de silêncio, confusão e então pop, pop, pop, pop. Depois mais pop, pop, pop. Aldean e sua banda correram do palco e a música parou”, disse Gray, que se atirou ao chão, ao lado de outras pessoas, na esperança de se proteger. “Parecia que o atirador estava no meio da multidão.”

Os disparos vinham do 32.º andar do hotel Mandalay, a quase 400 metros de distância do local do show. “Parecia que os tiros não iam parar nunca”, lembrou o jornalista. Segundo ele, quando as pessoas se deram conta de que eram alvos fáceis deitadas no chão, decidiram correr.

A polícia de Las Vegas disse que muitos feridos se machucaram na fuga. Alguns foram atingidos por carros, outros se cortaram em cercas e muros. Mas os ferimentos mais graves foram decorrentes dos tiros, que duraram cerca de 20 minutos. 

Enquanto os milhares de fãs de música country tentavam se proteger, a polícia empreendia uma corrida contra o tempo para identificar o local da origem dos disparos. O hotel Mandalay tem 3.309 quartos e a pista definitiva foi dada pelo alarme de incêndio. As centenas de tiros disparados por Paddock encheram seu quarto de fumaça e deram o alerta para os policiais. 

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Poucos antes de eles entrarem no local, o atirador se suicidou. Entre o primeiro disparo e a chegada da polícia no quarto de Paddock, transcorreram 70 minutos. A exata cronologia da tragédia, no entanto, não havia sido estabelecida. Ninguém sabia dizer, por exemplo, quando o último disparo havia sido efetuado, o que mostra a dificuldade que a polícia teria para investigar o caso. 

Paddock estava no hotel desde quinta-feira e usou um martelo para quebrar os vidros da janela na noite de domingo. A polícia encontrou no local dois rifles com alvos montados em tripés e colocados diante de duas janelas distintas, entre as quais o atirador se alternava. 

A cônsul honorária do Brasil em Las Vegas, Gislaine Silveira, disse ao Estado que não havia informações de brasileiros entre as vítimas. Na tarde de ontem, ela estava no Centro de Convenções para onde as famílias aguardavam notícias. Segundo ela, a cena era de desespero. Os que não haviam sido contatados por parentes que estavam no show eram levados para o processo de reconhecimento de corpos. 

O presidente Donald Trump classificou o tiroteio como um “ato de pura maldade”. Em mensagem sóbria, ele exaltou os valores e laços que unem os americanos e anunciou que irá a Las Vegas amanhã. Trump agradeceu à polícia e os que responderam ao ataque. “A velocidade com que eles agiram é miraculosa e evitou uma maior perda de vidas”, afirmou. 

Trump não fez menção à investigação ou ao atirador e se dedicou às famílias das vítimas e a pedidos de unidade.

“Em momentos de tragédia e horror, a América se une”, disse Trump. “Nossa unidade não pode ser despedaçada pelo mal, nossos laços não podem ser rompidos pela violência. Apesar de nós sentirmos raiva tão grande diante de assassinato sem sentido de nossos cidadãos, é o amor que nos define hoje.”

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O site Gun Violence registra uma estatística de 272 grandes ataques com tiros ou tiroteios nos Estados Unidos no decorrer do ano, sem considerar o de domingo.

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Las Vegas [Estados Unidos]

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Vídeos mostram pânico de quem acompanhava show durante ataque a tiros

Nas imagens é possível ver pessoas tentando se proteger enquanto atirador abre fogo contra a multidão

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 09h06

Imagens registradas pelo público que acompanhava o festival de música country "Route 91 Harvest" em Las Vegas, nos Estados Unidos, mostram o momento exato que o atirador Stephen Paddock, de 64 anos, abre fogo contra a multidão. As autoridades norte-americanas já confirmaram ao menos 50 mortos e mais de 200 feridos no ataque.

 

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