Reprodução / Jonatan Diniz / Facebook
Reprodução / Jonatan Diniz / Facebook

'Tortura depende muito do ponto de vista', diz nos EUA brasileiro preso pelo chavismo

Diniz  foi expulso do país no sábado e colocado em um avião com destino a Miami; ele promete relatar sua história em redes sociais

Cláudia Trevisan, Correspondente , O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2018 | 15h41
Atualizado 07 Janeiro 2018 | 20h34

WASHINGTON - Libertado no sábado depois de dez dias de detenção na Venezuela, o brasileiro Jonatan Moisés Diniz disse neste domingo, 7, ao Estado  que está “bem”. Ele foi dúbio ao responder se foi torturado no período em que ficou sob poder do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin). “Tortura depende muito do ponto de vista de uma situação”, escreveu em mensagem enviada pelo Facebook.

Em um post publicado na rede social, Diniz afirmou que participou de “muitos protestos” contra o presidente Nicolás Maduro, mas também fez críticas à oposição. “Sim, odiei muito Maduro nesse tempo por todas as bombas lacrimogêneas que tive que respirar e sim, vi muita barbaridade tanto de um lado quanto do outro”, escreveu.

"Quando eu não chorava pela notícia de mais um jovem assassinado que batalhava por liberdade e por um país melhor, eu chorava por ver crianças de 5, 6 anos prepararem bombas molotov no meio da avenida para se prepararem para os confrontos, enquanto eu via adultos de 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos olharem a situação e não fazerem merda nenhuma para afastar aquelas crianças do perigo.”

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Diniz relatou que foi ao país pela primeira vez como mochileiro, em 2016, e se apaixonou por uma venezuelana. Depois que o relacionamento acabou, o brasileiro morou por três meses na Venezuela, de maio a agosto de 2017, período que registrou os protestos mais intensos contra o regime de Maduro. Ele disse ter gasto a maior parte de suas economias no fim do ano com o projeto Time to Change the Earth (Tempo de Mudar a Terra), cujo objetivo era doar roupas, brinquedos e comida a famílias venezuelanas. 

“Eu não me envolvo em política, não me envolvo em nenhum desses teatros criados por pessoas ocultas para fazermos (sic) acreditar que existe democracia. Eu não sou lado A nem lado B... Eu só não quero ver crianças morrerem por nossa culpa, por o que nós adultos criamos na Terra”, escreveu no Facebook. 

No texto, Diniz agradeceu o apoio que recebeu, mas não fez referência direta a sua detenção nem às condições em que foi mantido na Venezuela. Disse ainda que não revelaria sua localização.

Diniz desembarcou no sábado à noite em Miami. Segundo fonte do Itamaraty, ele conversou por telefone com um diplomata do Consulado do Brasil na cidade e afirmou que não precisava de assistência. 

Sua detenção foi anunciada no dia 27 pelo número dois do chavismo, Diosdado Cabello, que acusou o brasileiro de usar uma ONG como fachada para financiar opositores de Maduro. O Itamaraty só foi comunicado oficialmente da prisão na sexta-feira por um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores. No dia seguinte, a mesma pessoa entrou em contato com a diplomacia brasileira para informar que o Ministério Público havia decidido puni-lo com a expulsão do país. 

Diniz vive na Califórnia há pelo menos quatro anos e estava com sua carteira de motorista americana quando foi detido, ao lado de três venezuelanos. Cabello insinuou que as atividades do brasileiro eram patrocinadas pela CIA.

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A família de Diniz, que vive em Camboriú (SC), negou as acusações. “Os venezuelanos acreditaram que ele era americano e, por mais que ele insistisse em dizer era brasileiro, não acreditaram. Por isso, eles disseram que ele era um informante da CIA, alguém patrocinado pelos EUA. O que é um absurdo”, disse o irmão de Diniz, Juliano, antes de sua expulsão. O governo venezuelano não se manifestou após a libertação de Diniz.

 

 

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