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TPI julga menino-soldado de Uganda

Dominic Ongwen, hoje com 41 anos, afirmou ser inocente das acusações de crimes de guerra e contra a humanidade

O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2016 | 17h55

HAIA - O ugandense Dominic Ongwen, menino que foi incorporado ao Exército de Resistência do Senhor (LRA) de Joseph Kony e se tornou chefe de guerra do sanguinário, se declarou inocente nesta terça-feira, 6, de 70 crimes contra a humanidade no seu julgamento no Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia.

“Em nome de Deus, nego estas acusações”, disse Ongwen, hoje com 41 anos, primeiro ugandense que foi menino soldado julgado ante o TPI. Seu caso representa um dilema para a Justiça internacional, que deve determinar se o acusado é mais vítima que carrasco.

O homem deve responder por seu papel na milícia que, segundo a ONU, massacrou mais de 100 mil pessoas e sequestrou 60 mil crianças desde sua criação, em 1987.

Em Uganda, milhares de pessoas acompanharam ao vivo, em escolas ou tendas montadas para a ocasião, o julgamento.

No início da audiência, os juízes rejeitaram o pedido da defesa pedindo a interrupção do julgamento alegando que o acusado não compreendia a natureza das acusações por sofrer de uma síndrome de estresse pós-traumático em razão do passado como menino soldado.

Filho de dois professores, Dominic Ongwen foi sequestrado aos 10 anos quando voltava da escola. Na época, Joseph Kony dirigia o LRA e tentava fundar um regime com base nos dez mandamentos.

Mesmo criança, Ongwen se destacou por sua lealdade no crime, valentia no combate e suas qualidades táticas. Subiu rapidamente na hierarquia da milícia.

A procuradoria o acusa de ter realizado ou ordenado ataques “sistemáticos e generalizados” contra civis, recrutar crianças-soldado e engravidar mulheres de forma forçada. Ele teria tido sete mulheres. / AFP

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