AFP PHOTO / Patrick KOVARIK
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Transferência de embaixada americana levará ao menos dois anos, diz Tillerson

Após reunião com chanceler francês, secretário de Estado dos EUA diz que mudança em Israel não será efetivada neste ano e provavelmente nem em 2018; ele também ressaltou que status final de Jerusalém deve ser negociado entre palestinos e israelenses

O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 12h29

PARIS - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, afirmou nesta sexta-feira, 8, que a transferência da embaixada americana em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, como anunciado pelo presidente Donald Trump na quarta-feira, provavelmente não acontecerá em menos de dois anos.

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"Não é algo que vai acontecer este ano e provavelmente nem no próximo, mas o presidente (Donald Trump) quer que avancemos de forma concreta e determinada", disse Tillerson depois de um encontro em Paris com o ministro francês de Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian.

O chefe da diplomacia americana estima que este é prazo mínimo para que o governo americano encontre e compre o terreno onde instalará sua nova representação no país, elabore os projetos para a construção do prédio, consiga as autorizações necessárias com o governo de Israel e, de fato, erga sua nova embaixada em Jerusalém.

No começo da semana, antes mesmo de Trump confirmar o reconhecimento da cidade sagrada como capital de Israel e oficializar a transferência da embaixada, fontes da Casa Branca já se antecipavam e diziam que a mudança poderia levar até três ou quatro anos para ocorrer.

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Na entrevista, Tillerson também afirmou que a mudança revelada por Trump nesta semana "não é uma indicação do status final de Jerusalém". 

"Em relação ao restante de Jerusalém o presidente (Trump) não indicou nenhum status final para Jerusalém. Ele foi muito claro que o status final, incluindo as fronteiras, seria deixado para as duas partes negociarem e decidirem", completou o secretário de Estado.

Le Drian, por sua vez, ressaltou que o reconhecimento de Jerusalém como capital israelense é um dos pontos em que os dois países discordam, mas garantiu que EUA e França "são aliados históricos" e, como tais, dizem as coisas "com franqueza e serenidade" um para o outro. 

Mais cedo, antes do encontro com Tillerson, o chanceler francês havia dito que os Estados Unidos se excluíram como mediadores do processo de paz do Oriente Médio em razão em razão da mudança em relação à Jerusalém.

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"Eu ouço alguns, incluindo o sr. Tillerson, dizer que as coisas vão acontecer a tempo, que a hora é para negociações. Até agora, eles poderiam ter tido um papel de mediação nesse conflito, mas agora se excluíram um pouco. A realidade é que eles estão sozinhos e isolados nesta questão", afirmou Le Drian, à rádio France Inter.

A decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel irritou os palestinos e provocou uma série de protestos na Cisjordânia, na Faixa de Gaza em diversos países da região.

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