AP Photo/Sebastian Scheiner
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Três israelenses são mortos em quatro ataques de palestinos em Jerusalém

Ações aconteceram em intervalo de aproximadamente duas horas nesta terça-feira; apenas nesse mês, já foram 20 casos, resultando na morte de 7 israelenses e de 11 palestinos, mortos pela polícia

O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2015 | 10h35

JERUSALÉM - Em um intervalo de duas horas, quatro ataques de palestinos em Jerusalém e em cidades próximas mataram pelo menos três israelenses e deixaram dezenas feridos na manhã desta terça-feira, 13, informou a polícia.

Autoridades israelenses afirmaram que dois agressores entraram em um ônibus público em Jerusalém no qual atiraram e esfaquearam os passageiros, matando dois deles. A terceira morte de israelense aconteceu em uma vizinhança ultraortodoxa de Jerusalém quando um palestino que trabalha para a companhia telefônica israelense jogou o carro da empresa contra pedestres e, em seguida, saiu do carro e os atacou com um machado.

Um policial matou um dos homens que invadiu o ônibus em Jerusalém e feriu o outro. O funcionário da empresa telefônica também foi morto por um agente de segurança que estava na região do ataque. Além desses casos, em Ra'anana - bairro de 80 mil habitantes a 20 quilômetros de Tel-Aviv onde moram muitas famílias de imigrantes americanos - pelo menos duas pessoas foram esfaqueadas.

"(Eles) começaram com facas, depois carros e agora (usam) armas", disse Aliza Ben Zichri, de 59 anos, uma professora aposentada que foi uma das muitas que correram para o local do ataque ônibus depois de ouvir tiros. "Por que não colocá-los sob toque de recolher?, questionou Aliza em relação aos 300 mil palestinos que moram em Jerusalém. "Eu deveria ser capaz de andar livremente."

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, convocou uma reunião de emergência com as principais autoridades de segurança de Israel e com seus ministro para a tarde desta terça-feira. Uma porta-voz da polícia que entre as medidas que estão em análise está o isolamento total dos bairros árabes de Jerusalém e uma flexibilização nas normas para a obtenção de arma de fogo por israelenses.

Ainda no local do ataque aos passageiros do ônibus, o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, defendeu a adoção de restrições para os bairros árabes da cidade. "Temos que pará-los e impor um toque de recolher", disse Barkat. "Temos que ampliar e melhorar as medidas que foram tomadas até agora."

O prefeito, que na semana passada incentivou os israelenses com porte de armas a carregá-las nas ruas, foi além: "Isso tem que parar, mesmo que os moradores de Jerusalém tenham que pagar o preço em termos de qualidade de vida. Precisamos assumir o controle da realidade em que vivemos."

A explosão de violência nesta terça-feira ocorre depois de quatro esfaqueamentos registrados na segunda, em Jerusalém, incluindo um no qual um adolescente israelense de 13 anos foi gravemente ferido por dois palestinos, de 13 e 15 anos. O árabe mais jovem foi gravemente ferido ao ser atropelado por um carro quando tentava fugir enquanto que o mais velho foi morto a tiros por policiais, resultando em protestos.

Reação. Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, chamou a morte do jovem de 15 anos um "crime hediondo" e o comparou ao episódio a um episódio que é visto como um dos principais motivadores da Segunda Intifada dos palestinos, em 2000.

"Se o governo israelense continuar com a escalada desse método perigoso de execuções, a região ficará em uma situação que não pode ser controlada e todos pagarão um preço muito alto", disse Rudeineh em comunicado distribuído por agências de notícias palestinas.

Riyad Mansour, embaixador palestino nas Nações Unidas, enviou na noite de segunda-feira ao Conselho de Segurança um carta listando numerosos casos nos quais as forças de segurança de Israel atiraram letalmente contra agressores e também contra palestinos que protestavam contra a ocupação israelense na Cisjordânia.

"A cada dia que se passa, mais vidas inocentes são perdidas, assim como qualquer esperança de chegar a uma solução pacífica de dois Estados no futuro", dizia a carta de Mansour. "As violações mencionadas (na carta) deveriam desencadear uma ação imediata por parte da comunidade internacional, incluindo o Conselho de Segurança, para finalmente haver medidas para proporcionar proteção imediata à população civil palestina."

Apenas neste mês, foram registrados mais de 20 ataques de palestinos a israelenses - a maior parte deles, com o uso de facas -, no quais 7 israelenses foram mortos. Ao menos 11 suspeitos de terem cometidos esses ataques foram mortos por forças de segurança de Israel e, em um dos casos, pela própria vítima, que estava armada. 

A maioria dos casos foi registrada em Jerusalém, mas a violência também tomou as ruas de Kiryat Arba, um assentamento israelense na Cisjordânia ocupada, além da capital cultural e financeira de Israel, Tel-Aviv. / NYT

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