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Primavera Árabe

Três pessoas morrem no Cairo em protesto contra Sissi

O Estado de S. Paulo

28 Março 2014 | 16h 33

Manifestações convocadas por seguidores da Irmandade Muçulmana terminaram em confrontos

CAIRO - Pelo menos três pessoas morreram, entre elas a jornalista egípcia do jornal Al Dustur Mayada Ashraf, durante os confrontos nas manifestações islamitas realizadas nesta sexta-feira, 28, no Cairo.

O porta-voz de emergências do Ministério de Saúde egípcio, Khaled al-Khatib, disse que outras 18 pessoas ficaram feridas na capital e mais quatro em Damieta, onde também ocorreram confrontos entre a polícia e os manifestantes.

Mayada levou um tiro na cabeça enquanto fazia uma reportagem sobre os confrontos no bairro de Ein Shams, segundo uma autoridade de segurança local. O jornal confirmou a morte da jornalista.

A militante do Sindicato Egípcio de Jornalistas, Abir Saadi, em entrevista à agência oficial de notícias Mena pediu a abertura de uma investigação urgente sobre a morte de Mayada.

No bairro de Ain Shams, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o Exército, a polícia e o marechal Abdel Fatah al-Sissi, que apresentou sua candidatura às eleições presidenciais na quinta-feira 27.

Segundo uma fonte de segurança, membros da Irmandade Muçulmana dispararam contra os moradores, incendiaram pneus e lançaram coquetéis molotov contra policiais.

Apesar de a Irmandade Muçulmana organizar manifestações toda sexta-feira para pedir a restituição do ex-presidente islamita Mohamed Morsi, deposto por um golpe militar em 3 de julho, as manifestações desta sexta tiveram como principal objetivo criticar a candidatura de Sissi.

A chamada Aliança para a Defesa da Legitimidade, liderada pelo grupo, afirmou, na quinta-feira em comunicado, que com a candidatura do marechal "cai a máscara falsa do rosto do líder do golpe de Estado".

Antes da morte de Mayada, o comitê de proteção a jornalistas informava que nove profissionais haviam sido mortos no Egito desde a revolta popular que tirou do poder o ditador Hosni Mubarak, no início de 2011./ EFE e DOW JONES

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