AFP PHOTO / THOMAS COEX
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Tribunal de Israel adia julgamento e mantém presa jovem palestina

Ahed Tamimi, de 16 anos, e sua mãe, Nariman, devem ficar presas pelo menos mais uma semana

O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2018 | 19h39

A adolescente palestina Ahed Tamimi, de 16 anos, detida após a divulgação de um vídeo em que aparece agredindo soldados israelenses, será mantida na prisão por pelo menos mais uma semana. A decisão foi tomada ontem pelo tribunal militar de Ofer, perto de Ramallah, na Cisjordânia ocupada. 

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A Justiça israelense manteve as cinco acusações atribuídas a Nariman Tamimi, mãe de Ahed, envolvida no mesmo incidente, e prorrogou sua detenção até segunda-feira. O procurador militar pediu que mãe e filha fiquem presas até o julgamento. 

A prisão da prima de Ahed, Nor Nayi Tamimi, de 20 anos, que também aparecia no vídeo, expira hoje. Ela precisará pagar uma fiança de US$ 1.400 para sair, segundo o advogado Gaby Lasky. 

As acusações correspondem ao incidente ocorrido em 15 de dezembro em Nabi Saleh e a outros cinco casos nos quais Ahed esteve envolvida no ano passado. Segundo um comunicado do Exército, ela foi acusada de 11 crimes, entre os quais “ter agredido as forças de segurança, lançado pedras, ter proferido ameaças e participado em distúrbios”. O procurador militar pediu 10 anos de prisão para a jovem palestina. 

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A família Tamimi é conhecida por participar de protestos em Nabi Saleh, palco frequente de manifestações contra a ocupação israelense. As imagens divulgadas em dezembro, que causaram a prisão de Ahed, mostram a jovem, ao lado da prima, se aproximando de soldados israelenses. Elas dão socos e chutes nos dois. A mãe de Ahed, Nariman, parece tentar deter as jovens e depois expulsa os militares do pátio de sua casa. Os soldados saem sem reagir. 

Ontem, a Anistia Internacional (AI) pediu a libertação de Ahed. “Nada que Ahed Tamimi tenha feito pode justificar a detenção contínua de uma menina de 16 anos. As autoridades israelenses devem libertá-la urgentemente”, declarou Madgalena Mughrabi, vice-diretora da AI para Oriente Médio e Norte da África, em comunicado. 

Quando o vídeo foi gravado, um dos primos de Ahed, de 14 anos, havia sido ferido no rosto por uma bala de aço revestida de borracha durante confrontos com soldados. Ele entrou em coma e agora está se recuperando.

O vídeo tornou-se viral e transformou Ahed em um ícone da resistência palestina, enquanto parte da população israelense e seus representantes, como o ministro da Educação, Naftali Benet, consideram que “as três mulheres deveriam passar o resto de suas vidas na cadeia”.

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