AP Photo/Evan Vucci
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Trump anuncia que não vai ao tradicional jantar de correspondentes

Evento anual realizado pela imprensa na Casa Branca é marcado por piadas e presença de políticos, jornalistas e artistas

O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2017 | 21h44

WASHINGTON - O presidente Donald Trump anunciou neste sábado, 25, pelo Twitter que não comparecerá ao tradicional jantar de correspondentes na Casa Branca, um evento organizado pela imprensa aos líderes do país que eles deverão cobrir. "Não irei ao jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca este ano. Desejo que todos fiquem bem e tenham uma ótima tarde!", escreveu Trump, um dia depois de chamar a "falsa mídia" de "inimigo do povo".

O evento anual recolhe fundos para bolsas de estudos em universidades reúne políticos, jornalistas e artistas, tradicionalmente com a presença do presidente americano e a primeira-dama. Marcado por piadas e um discurso engraçado do próprio presidente, o jantar já reuniu inclusive políticos opositores.

Após o tuíte de Trump, o presidente do WHCA (sigla da associação em inglês), Jeff Mason, afirmou que o evento ocorreria. "A WHCA tomou conhecimento do anúncio do presidente Donald Trump pelo Twitter de que não pretende ir ao jantar, que foi e continuará sendo uma celebração da Primeira Emenda e do importante papel exercido pela imprensa independente em uma República saudável".

O jantar deste ano já vinha sendo tratado como polêmico em razão das constantes declarações de Trump criticando a imprensa no país. Matéria publicada no site Politico no início deste mês afirmava que o The New Yorker e a Vanity Fair haviam cancelado eventos que realizam na semana do jantar - sempre em abril.

Trump vinha sendo uma presença regular nos jantares de correspondentes, em razão de seu status de artista como apresentador do reality show "O Aprendiz" e de concursos de beleza. Em 2016, no entanto, o magnata republicano não foi ao evento por estar em campanha eleitoral para a presidência.

O atual presidente americano também era alvo de piadas nesses eventos e no ano passado - último jantar de Barack Obama como presidente - não foi diferente. Em determinado ponto de seu discurso, Obama afirmou aos convidados que Trump "passou anos se reunindo com líderes pelo mundo, a miss Suécia, miss Argentina, miss Arzebaijão."

Em 2011, câmeras flagraram Trump desconfortável por ter se tornado alvo de uma série de piadas feitas por Obama. Na ocasião, Trump havia dito que Obama não havia nascido nos EUA e que, por isso, de acordo com a Constituição, não poderia ser eleito presidente. 

Piadas. No ano passado, Obama voltou a alguns temas comuns ao longo de seus oito anos na presidência fazendo piadas sobre seu “país de nascimento” e os desafios de enfrentar um Congresso republicano hostil.

Em 2013, o presidente brincou até com o novo corte de cabelo da mulher, Michelle Obama. Falando sobre como o trabalho "pode tomar conta de você", Obama disse que ele e sua equipe decidiram que o presidente precisava de "uma explosão de energia nova" e ele resolveu pegar emprestado "um dos truques de Michelle". Na tela, apareceram imagens dele com franja.

Na ocasião, Obama também falou de opositores políticos e citou o republicano Marco Rubio e fez uma piada autodepreciativa: "Eu não sei sobre 2016... o cara não pode mesmo terminar um único mandato no Senado, que ele acha que está pronto para ser presidente?"

Durante o jantar de 2014, Obama fez pela primeira vez referência a uma candidatura de Hillary Clinton. /AFP e AP

 

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