AFP PHOTO / Justin TALLIS
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Trump cancela viagem a Londres e culpa Obama por 'acordo ruim' sobre nova embaixada

Presidente americano disse que 'não cortará a fita' na inauguração da nova sede diplomática no dia 16 de fevereiro por discordar da localização e do valor gasto no prédio; decisão de mudar embaixada foi tomada, na verdade, por George W. Bush em 2008

O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2018 | 11h09

LONDRES - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou uma viagem a Londres agendada para o próximo mês para inaugurar a nova embaixada americana, culpando seu predecessor, Barack Obama, por vender a antiga por uma “mixaria” em um acordo ruim e pela nova estar em localização ruim.

A embaixada de US$ 1 bilhão

Mais de um ano após assumir a presidência, Trump ainda não visitou a capital inglesa, e muitos britânicos prometem protestos em massa contra o presidente americano que veem como grosseiro e contrário a seus valores em diversas questões.

“A razão pela qual eu cancelei minha viagem a Londres é que eu não sou grande fã do governo Obama ter vendido talvez a mais bem localizada e melhor embaixada em Londres por uma ‘mixaria’, apenas para construir uma nova em uma localização distante por US$ 1,2 bilhão”, disse Trump no Twitter, na noite de quinta-feira. “Acordo ruim. Queriam que eu cortasse a faixa. Não!”, escreveu.

Na verdade, a decisão de adquirir um novo local para a embaixada de Londres na margem sul do rio Tâmisa foi anunciada em 2008 durante governo de George W. Bush, junto com os planos de vender a propriedade anterior.

Os Estados Unidos venderam sua embaixada na praça Grosvenor, no coração do luxuoso bairro de Mayfair, para um fundo de investimentos do Qatar, e mudaram a delegação diplomática para as margens do Tâmisa, em uma zona industrial revitalizada. A obra foi elaborada pelo arquiteto Kieran Timberlake.

O prédio será aberto ao público em 16 de janeiro e esperava-se que Trump fosse inaugurá-lo aproveitando sua visita ao Fórum Econômico de Davos, na Suíça. A nova sede diplomática custou US$ 1 bilhão e a antiga, coroada por uma distinta águia gigante, será transformada em um  hotel.

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Trump também mencionou uma visita de estado à Grã-Bretanha no futuro, mas não informou uma data. Um aliado britânico de Trump, Nigel Farage, ex-líder do partido antieuropeu Ukip, disse que a decisão é decepcionante.

"Ele foi a países de todo mundo e, no entanto, não vem no país que é mais próximo dele", afirmou em seu programa de rádio na cadeia LBC. "Talvez não tenha gostado de um aspecto que teria sua visita", acrescentou, aludindo às manifestações que a oposição trabalhista preparava com ele.

O jornal britânico The Guardian, após ouvir fontes governamentais, afirmou que Trump decidiu cancelar sua visita a Londres por medo de ser recebido com grandes protestos e, em seu lugar, enviará o secretário de Estado, Rex Tillerson, que se encarregará de inaugurar a nova missão diplomática.

As relações entre o Reino Unido e Trump têm se revelado difíceis. A primeira-ministra conservadora Theresa May o convidou para uma visita de Estado quando ele assumiu o poder, estreitando sua cumplicidade no momento em que o país se prepara para romper com a União Europeia.

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No entanto, esta visita de Estado - ao contrário da de trabalho que Trump cancelou - não foi oficialmente anulada, mas ainda não tem datas definidas, apesar de ser preparada com a antecedência protocolar necessária.

'Não é bem-vindo'

Trump bateu de frente várias vezes com o prefeito de Londres, Sadiq Khan, sempre depois de atentados na capital inglesa, por seus ataques aos muçulmanos, e recentemente retuitou posts do grupo de ultradireita xenófobo Britain First. May reprovou seu erro e ele contra-atacou dizendo que ela deveria se preocupar com seus assuntos.

O prefeito elogiou a suspensão da viagem, que teria sido mais uma dor de cabeça do ponto de vista de segurança. "Muitos londrinos deixaram claro que Donald Trump não é bem-vindo. Parece que ele finalmente entendeu isso", comentou.

Outras figuras trabalhistas se uniram a Khan. "É uma pessoa que promove o ódio e a propaganda de uma organização de extrema direita neste país. Não estou certo de que seria apropriado pedir que viesse nessas circunstâncias", declaro o deputado Chuka Umunna. / AFP, EFE e REUTERS

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