Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Trump comemora com partidários seus primeiros 100 dias na presidência dos EUA

Em comício na Pensilvânia, presidente americano disse que teve os 100 primeiros dias de governo 'mais bem sucedidos da história' dos EUA e prometeu tomar decisão sobre o Acordo de Paris sobre mudança climática nas próximas semanas

O Estado de S.Paulo

29 Abril 2017 | 22h27

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, enalteceu seus "muito produtivos" cem primeiros dias como presidente dos Estados Unidos e, discursando a uma multidão de fervorosos seguidores em Harrisburg, Pensilvânia, declarou que há "grandes batalhas" pela frente.

Em um entusiasmado comício ao estilo de sua campanha em um Estado-chave para sua vitória nas urnas em novembro, Trump afirmou que seus primeiros dias no governo "foram muito fascinantes e muito produtivos", mencionando uma lista do que chamou de seus feitos.

O presidente republicano afirmou que é preciso se preparar para as grandes batalhas que virão "e venceremos toda vez". Frequentemente, a multidão interrompia o discurso do presidente com gritos de "EUA! EUA!". "Tenho uma pergunta para vocês. Vocês estiveram em muitos comícios. Primeiro que tudo, existe algum lugar como um comício de Trump, sendo justos?", disse Trump, após uma explosão de aplausos.

Cartazes exibidos pelos presentes traziam slogans como "Promessas feitas. Promessas cumpridas". Entre seus maiores feitos em seus primeiros cem dias no governo, Trump citou a confirmação pelo Senado de seu candidato à Suprema Corte, o juiz conservador Neil Gorsuch, a retirada dos Estados Unidos do acordo comercial Trans-Pacífico, um mercado acionário em alta e a flexibilização das regulamentações para a exploração de fontes de energia.

"Os primeiros 100 dias da minha administração foram simplesmente os mais bem sucedidos de toda a história" dos Estados Unidos, disse Trump em mensagem de vídeo difundida pela Casa Branca antes de o republicano viajar para a Pensilvânia. "Penso que nenhuma pessoa fez o que nós fomos capazes de realizar em 100 dias, estamos muito felizes."

Apesar do discurso, o 45º presidente dos Estados Unidos, cuja eleição surpreendeu o mundo, tem enfrentado dificuldades para concretizar suas promessas de campanha.

Especialmente, a mais emblemática: abolir e substituir o Obamacare, a reforma de saúde implementada por seu antecessor, Barack Obama. Esta promessa ficou bloqueada diante das divisões da maioria republicana no Congresso.

Durante a campanha, Trump prometeu a expulsão de mais de 11 milhões de imigrantes em situação irregular, independentemente de sua situação familiar, e a construção de um muro na fronteira com o México.

O financiamento do muro precisou ser retirado esta semana de um projeto de lei orçamentária para evitar a paralisia do governo federal ameaçada pelos democratas.

Reforma migratória. A chegada de Trump à Casa Branca sepultou as ilusões de uma reforma migratória, que tinha sido impulsionada por Obama e marcou o início de uma era de medo e insegurança para imigrantes ameaçados de expulsão. "A segurança migratória é segurança nacional", disse Trump na sexta-feira. 

Desde que chegou à Casa Branca, Trump também assinou dezenas de decretos para reverter as medidas da Presidência de Barack Obama sobre a indústria ou o meio ambiente.

No entanto, o decreto que criou as maiores dificuldades foi o que assinou para proibir a entrada aos Estados Unidos de cidadãos de vários países de maioria muçulmana. Esta proibição foi bloqueada duas vezes pela Justiça.

A oposição democrata descreve o princípio do seu mandato como um desastre e um período muito grande de instabilidade. 

Acordo Climático. No comício para seus apoiadores, Trump também assegurou que tomará "uma grande decisão" sobre o Acordo de Paris sobre a mudança climática "nas próximas duas semanas", ao reiterar seu apoio à indústria nacional do carvão.

O presidente insistiu em que as leis ambientais afogam o crescimento econômico e são responsáveis pela perda de empregos no país. Trump está avaliando se mantém os EUA no acordo, que busca uma mudança de modelo de desenvolvimento livre de combustíveis fósseis e foi assinado por seu predecessor Barack Obama.

As declarações de Trump foram feitas no mesmo dia de várias marchas em defesa do clima - incluindo uma com milhares de manifestantes em Washington - e contra suas políticas de desregulamentação de leis ambientais nos EUA.

Esta semana, o presidente assinou uma ordem executiva para revisar as proibições impostas por Obama para permitir explorações de petróleo no litoral do país, o que poderia abrir áreas do Ártico e do Golfo do México a novos poços. /AFP e EFE

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