EFE/MINISTERIO RUSO DE EXTERIORES
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Trump disse a russos que demissão de ‘louco do FBI’ aliviou pressão sobre ele

Em reunião com o chanceler Serguei Lavrov, um dia depois da demissão de James Comey, presidente criticou ex-diretor da polícia federal americana

O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 17h08

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, disse a funcionários russos  na Casa Branca este mês que a demissão do diretor do FBI, James Comey, tinha "retirado uma grande pressão" sobre ele, indicou um documento resumindo o teor do encontro.

"Simplesmente demiti o chefe do FBI. Ele era louco, realmente maluco", disse Trump,  segundo o documento que foi lido a repórteres do New York Times por um funcionário do governo. "Eu estava enfrentando uma grande pressão por causa da Rússia. E ela foi removida", disse Trump, acrescentando: "Não estou sob investigação".

A conversação, que ocorreu no dia 10 – um dia após a demissão de Comey –, reforça a noção de que Trump afastou o diretor do FBI em razão das investigações sobre a possível cooperação da Rússia em sua campanha à Casa Branca. O governo apresentou outras justificativas para a demissão.

O documento da Casa Branca que contém os comentários de Trump tem como base as anotações feitas no Salão Oval. Um funcionário leu as declarações ao NYT e outro funcionário confirmou o teor da conversa.

Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, não negou a informação. Em um comunicado, ele disse que Comey colocou pressão desnecessária sobre o presidente e afetou a diplomacia com a Rússia sobre questões como Síria, Ucrânia e Estado Islâmico. “Ao politizar a investigação sobre as ações da Rússia, James Comey criou uma pressão desnecessária sobre nossa capacidade para negociar com a Rússia”, disse Spicer. 

Um dia após demitir Comey, Trump recebeu o chanceler russo, Serguei Lavrov, no Salão Oval, assim como o embaixador da Rússia nos EUA, Serguei Kislyak. O encontro desatou uma controvérsia esta semana quando descobriu-se que Trump teria revelado informações confidenciais de uma operação antiterrorismo de Israel contra o Estado Islâmico.

Um terceiro funcionário do governo questionado sobre o encontro defendeu o presidente dizendo que Trump estava usando tática de negociação quando disse a Lavrov sobre a pressão que havia sobre ele. A ideia, disse o funcionário, era criar a sensação de obrigação com os funcionários russos e obter concessões de Lavrov – sobre Síria, Ucrânia e outras questões – ao dizer que a interferência russa nas eleições do ano passado criaram enormes problemas políticos para Trump.

O presidente insiste que a interferência não alterou o resultado da disputa, mas se tornou uma questão política para seus opositores. Muitos democratas e republicanos disseram que Trump teria tentado obstruir a Justiça ao demitir Comey. O recém-nomeado conselheiro especial, Robert Mueller, investigará não apenas se houve uma potencial conspiração, mas também as alegações relacionadas, que incluiria obstrução de Justiça.

A investigação do FBI tem atormentado o governo Trump e o próprio presidente. Comey confirmou publicamente a existência da investigação em março, ao dizer ao Congresso que seus agentes estavam investigando os esforços da Rússia para influenciar as eleições presidenciais e se alguém da campanha de Trump esteve envolvido. 

Inicialmente, a Casa Branca disse que Trump tinha demitido Comey por recomendação do Departamento de Justiça. Mas, um dia depois, o presidente desmentiu a versão em entrevista à NBC. / NYT

 

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