Michael Reynolds/EFE
Michael Reynolds/EFE

Em discurso sobre segurança nacional, Trump elege China e Rússia como rivais

Presidente americano anuncia diretrizes de política externa, citando chineses e russos como obstáculos para sua ambição de promover influência, prosperidade e estilo de vida dos EUA no mundo

O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2017 | 17h51

WASHINGTON - O presidente americano  Donald Trump anunciou nesta segunda-feira, dia 18, sua política de segurança nacional afirmando que uma nova era de competição global está em curso. Sua estratégia levará em conta um mundo em que os americanos confrontam dois poderes “revisionistas” – a China e a Rússia – que buscam mudanças frequentemente em detrimento dos interesses americanos. “Os EUA estão no jogo – e os EUA vencerão”, disse Trump durante o anúncio de sua política, que seguirá a doutrina “America First” (“Os EUA em primeiro lugar”), que ele delineou na campanha à presidência.

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Apesar de citar a Rússia como rival global, o documento que descreve a política de segurança nacional americana expõe um detalhado plano para afrontar a ambição econômica da China – e diz pouco sobre como Washington lidará com a guerra de informações online que o Kremlin usou durante as eleições presidenciais de 2016.

Com relação à influência de Pequim e Moscou na América Latina, a crítica americana é semelhante. “A China busca atrair a região (latino-americana) para sua órbita por meio de investimentos e empréstimos. A Rússia continua sua fracassada política da Guerra Fria, dando apoio a seus radicais aliados cubanos, enquanto Cuba continua a reprimir seus cidadãos”, afirma o documento preparado por sua equipe de assessores.

“A competição entre grandes potências retornou”, diz o texto, que tenta dar coerência a um tipo de política externa frequentemente definida pelos tuítes de Trump e pelas impressões do presidente sobre qual líder mundial é forte ou fraco, preparado ou não para estabelecer acordos.

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A China e a Rússia, segundo o documento, “estão determinadas a se tornar economias menos livres e menos justas, a expandir suas forças militares e a controlar informações e dados para reprimir suas sociedades e expandir sua influência”. 

“Essa competição exige que os EUA repensem sua política das duas últimas décadas – políticas com base no pressuposto de que o engajamento com rivais e sua inclusão em instituições internacionais e comércio global transformariam estes países em atores benignos e parceiros confiáveis”, diz o texto. “Em sua maior parte, essa premissa se revelou falsa.”

Ao discursar nesta segunda-feira, dia 18, em Washington, Trump qualificou Rússia e China como potências rivais “que buscam desafiar a influência americana”. “Tentaremos construir uma grande parceria com esses e outros países, mas de uma maneira que sempre proteja nossos interesses”, disse o presidente, que citou como exemplo a colaboração da CIA com as autoridades russas para evitar atentados que o grupo terrorista Estado Islâmico planejava realizar em São Petersburgo – e o telefonema que ele recebeu no domingo de seu colega russo, Vladimir Putin, em agradecimento pela ajuda americana.

“Os EUA liderarão novamente. Não buscamos impor nosso estilo de vida sobre ninguém, mas defenderemos esses valores sem nos desculparmos”, declarou Trump. 

“Tanto a China quanto a Rússia apoiam a ditadura na Venezuela e estão buscando expandir suas articulações militares e vendas de armas na região. O Estados democráticos do Hemisfério (Ocidental) têm um interesse compartilhado em confrontar as ameaças à sua soberania”, diz o documento sobre a nova política de segurança nacional americana.

Além de ressaltar a importância de limitar a influência “maligna” de Pequim e de Moscou, Trump citou em seu discurso temas recorrentes da campanha em relação ao continente americano: a construção do muro ao longo da fronteira com o México e a modernização de acordos comerciais, para torná-los “justos” e “recíprocos”. No entanto, a estratégia não se refere explicitamente ao tratado de livre-comércio que os EUA negociam com México e Canadá.

Aliança Estratégica. Nos anos 50, China e União Soviética ensaiaram uma aproximação contra os EUA. Nos anos 70, porém, o presidente Richard Nixon mudou o jogo, atraiu Pequim e criou uma aliança contra o avanço soviético. 

O fim da Guerra Fria afastou China e EUA e deu início a uma nova aproximação entre Moscou e Pequim. Em 1992, os dois países anunciaram uma “parceria construtiva”. Em 1996, firmaram uma “parceria estratégica”. Em 2001, assinaram um tratado de “amizade e cooperação”. 

Nos últimos anos, China e Rússia vêm cooperando na ONU e se uniram em blocos diplomáticos, como os Brics e a Organização de Cooperação de Xangai, para coordenarem suas posições e contrabalançarem a política dos EUA. / NYT e AP

 

 

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