EFE/ Kiyoshi Ota
EFE/ Kiyoshi Ota

Em visita à Ásia, Trump diz que ataque no Texas é questão de ‘saúde mental’ e não de armas

Presidente americano enviou suas condolências aos parentes das vítimas e ressaltou que os EUA ‘sempre são mais fortes quando estamos unidos’

Claudia Trevisan, Correspondente de Washington, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2017 | 07h07
Atualizado 06 Novembro 2017 | 21h11

TÓQUIO - Questões relacionadas à “saúde mental” e não à “situação de armas” explicam o ataque a tiros que deixou 26 pessoas mortas em uma igreja no Texas no domingo, afirmou ontem o presidente Donald Trump, alinhado com o Partido Republicano e o lobby da Associação Nacional do Rifle, que rejeitam qualquer ação legislativa para regular o setor.

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Depois do massacre de 58 pessoas em Las Vegas há pouco mais de um mês, Trump também se referiu ao desequilíbrio mental do atirador e disse que aquele não era o momento para discutir a questão do controle no acesso a armas. As declarações de ontem parecem ter descartado esse debate.

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“Não é possível separar essas duas coisas. A Inglaterra provavelmente tem porcentual semelhante ao dos Estados Unidos de adultos com doenças mentais, mas ataques a tiros indiscriminados são raros no país”, afirmou Jay Corzine, sociólogo da Universidade Central da Flórida que estuda criminalidade e violência. “A diferença é que aqui é muito fácil para um cidadão comprar fuzis de assalto de estilo militar, que são proibidos na Inglaterra.”

Na opinião de Robert Spitzer, professor da Universidade Estadual de Nova York em Cortland, há um “exagero” na conexão entre problemas mentais e ataques em massa. “Nós não sabemos se o atirador do Texas tinha algum tipo particular de doença mental. Ele certamente tinha um problema de violência”, observou. “Saúde mental é mencionada com frequência porque é uma maneira de distrair a atenção da discussão sobre regras mais estritas sobre armas”, avaliou.

Em fevereiro, Trump sancionou lei aprovada pela maioria republicana no Congresso que acabou com medida que impedia a venda de armas a pessoas que recebessem benefícios sociais por causa de doenças mentais. Além disso, suas propostas de reforma do sistema de saúde reduzem recursos destinados a esse tipo de tratamento.

O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, rejeitou regulamentação mais rigorosa sobre armas como resposta a ataques como o do Texas. Segundo ele, uma maneira de evitar massacres semelhantes é armar membros das igrejas e “treiná-los para que eles estejam prontos para responder”. 

Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou nesta segunda-feira a Trump suas mais profundas condolências. "Aceite nossas profundas condolências por ocasião da tragédia ocorrida no Texas. É difícil imaginar um crime mais cruel e cínico que o assassinato de pessoas durante uma cerimônia religiosa", afirmou o líder russo em mensagem publicada no site do Kremlin.

Putin acrescentou que "na Rússia, compartilhamos a dor daqueles que perderam seus entes queridos, e desejamos uma rápida recuperação aos feridos". 

 

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