Estadão

EUA não descartam possibilidade de ação militar na Venezuela, diz Trump

O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2017 | 19h14

Caracas diz que declaração é 'gesto louco' e 'extremista'; Pentágono diz que não recebeu nenhuma ordem da Casa Branca sobre o assunto; Aloysio diz que Brasil não apoiaria eventual intervenção

CARACAS - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que não descarta a possibilidade de uma ação militar para solucionar a crise na Venezuela. "As pessoas estão sofrendo e estão morrendo", disse Trump. “Temos muitas opções, incluindo a militar, se necessário." 

"O ministro da Defesa venezuelano, general Vladimir Padrino López, reagiu e afirmou que a declaração do americano foi um gesto louco" e "extremista". O presidente Nicolás Maduro frequentemente acusa os EUA de tentar derrubá-lo. 

Pouco depois da declaração de Trump, o Pentágono informou não ter recebido da Casa Branca qualquer orientação sobre a Venezuela. A declaração, rara e pouco usual em termos diplomáticos na América Latina, foi dada após o governo americano ter sancionado uma série de autoridades chavistas nas últimas semanas.  

Presidente americano não descarta ação militar para resolver a crise na Venezuela  Foto: AFP PHOTO / JIM WATSON

Em entrevista ao Estado, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, afirmou que o Brasil não apoiaria uma intervenção militar na Venezuela. "O tempo do big stick já passou", disse o chanceler.

Nesta semana, o Departamento do Tesouro anunciou sanções contra oito membros da cúpula chavista, incluindo o irmão do presidente Hugo Chávez (1999-2013), Adán Chávez. Maduro e seu vice-presidente Tareck El Aissami também tiveram ativos bloqueados nos EUA. Maduro já havia sido incluído na lista em uma rodada anterior de sanções. 

Após a ameaça feita por Trump, o governo americano confirmou que o vice-presidente, Mike Pence, embarcará para um giro pela América Latina no domingo. O republicano passará por Colômbia, Argentina, Chile e Panamá. Na agenda dos encontros que terá com líderes da região, as preocupações com a Venezuela serão tema central.

Desde abril, a crise na Venezuela vem se agravando e a onda de protestos e violência já deixou 125 mortos. No final de julho, o chavismo elegeu, sob protestos internos e da comunidade internacional, uma Assembleia Nacional Constituinte em uma votação boicotada pela oposição e desenhada para privilegiar o governo. 

Nas primeiras reuniões da Constituinte, os deputados chavistas adotaram um discurso radical, no qual prometeram punir com até 25 anos de prisão quem propague “ódio” em manifestações de rua e só aceitar a candidatura de opositores para futuras eleições se tiverem “bom comportamento”. 

Retórica. A aplicação de sanções econômicas à Venezuela não tinha consenso entre países vizinhos em razão do possível impacto para a população, que já sofre com altos níveis de escassez de remédios e alimentos e começa a trocar a Venezuela por países fronteiriços, como Colômbia e Brasil. Uma intervenção militar apenas potencializaria esse efeito sobre a população civil. 

Desde a ascensão do chavismo, em 1999, os governos de Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama evitaram confronto aberto com os bolivarianos – em parte, para evitar alimentar a retórica antiamericana do chavismo, que frequentemente acusa a Casa Branca de “desestabilização” e de patrocinar tentativas de golpe. 

Em 2015, o governo Obama classificou a Venezuela como “uma ameaça aos interesses americanos”, o que abriu o caminho para a adoção de sanções contra o chavismo. / AP, REUTERS e AFP

 

Ir para a versão web