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Sean Rayford/Getty Images/AFP

Trump e Sanders vencem primárias de New Hampshire

Discurso dos favoritos nas primárias republicana e democrata no Estado tem como alvo a elite de Washington e o sistema de financiamento de campanha: os dois pré-candidatos rejeitaram, por caminhos diferentes, a influência dos doadores

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Claudia Trevisan,
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

09 Fevereiro 2016 | 23h33

WASHINGTON - O republicano Donald Trump e o democrata Bernie Sanders venceram ontem as primárias de New Hampshire, segundo Estado a realizar prévias para definir os candidatos de ambos partidos para as eleições presidenciais americanas, indicou projeção da CNN. Representantes de extremos opostos no espectro ideológico dos EUA, ambos representam insurgentes que desafiam o poder estabelecido em suas legendas. 

Além das propostas populistas, ambos têm em comum a crítica ao sistema de financiamento de campanha que dá influência excessiva ao poder econômico sobre as decisões de Washington. Maiores surpresas da corrida pela Casa Branca, Trump e Sanders capturam a preferência dos eleitores insatisfeitos com a situação econômica do país e as lideranças políticas tradicionais. Mas suas posições refletem diagnósticos distintos sobre a raiz dos problemas americanos: o bilionário do setor imobiliário ataca os imigrantes e a China, enquanto social-democrata volta suas baterias contra Wall Street, as grandes corporações e a desigualdade de renda.

Em uma eleição que movimenta bilhões de dólares, Trump e Sanders optaram por rejeitar os grandes doadores, que canalizam seu apoio aos candidatos por meio dos Comitês de Ação Política. Chamados de Super-PACs, essas organizações podem captar volumes ilimitados de recursos e usá-los em anúncios de apoio aos candidatos ou ataque a adversários. 

O bilionário usa sua própria experiência como financiador de campanhas no passado para afirmar que as contribuições são uma forma de comprar influência sobre os candidatos e seus cargos, caso sejam eleitos. “Ele tem uma enorme quantidade de dinheiro e recursos, o que facilita sua candidatura e permite que apresente uma de suas principais mensagens, a de que ele não é de Washington, ele não é uma das pessoas que defendem grupos de interesse e ele não pode ser comprado”, disse Andrew Smith, professor de Ciência Política da Universidade de New Hampshire.

Enquanto Trump financia a maior parte de sua campanha com recursos próprios, Sanders recebe apoio de pequenos doadores individuais, que podem contribuir no máximo de US$ 2,7 mil. Nos últimos nove meses, o candidato democrata que desafia a supremacia de Hillary Clinton, recebeu 3,5 milhões de doações, em um valor médio de US$ 27 cada uma. 

Apesar de o bilionário sustentar que paga sua campanha, simpatizantes criaram Super-PACs para apoiar sua pretensão de chegar à Casa Branca. Trump responde que não exerce controle sobre a criação dos grupos, que não podem ter vínculos formais com as campanhas dos candidatos presidenciais. Com isso, Sanders é o único nome na disputa que pode declarar não ter apoio e Super-PACs, que se transformaram nos principais símbolos da influência do poder econômico nas eleições americanas.

“Nós não representamos Wall Street, nós não representamos as corporações americanas, nós não representamos milionários, nós não representamos bilionários,não teremos um Super-PAC”, disse Sanders em discurso a eleitores em New Hampshire na semana passada. “Democracia significa uma pessoa, um voto. Não significa bilionários comprando eleições.”

Com apenas 1,3 milhão de habitantes, 94% dos quais brancos, o Estado não é representativo da população dos EUA. Mas o resultado de suas primárias costuma ter um impacto desproporcional na corrida presidencial americana. A posição de cada um na disputa local dá uma indicação de sua viabilidade eleitoral e pode funcionar como um impulso ou um freio a suas pretensões.

O resultado de New Hampshire representa um revés para Hillary, a preferida da liderança democrata, que lidera as pesquisas nacionais do partido. . Agora ela enfrenta o risco de um adversário que chegará com o selo da vitória nas prévias de Nevada, no dia 20. Sete dias mais tarde, eles se enfrentarão na Carolina do Sul, Estado que tem uma população mais diversa, com 28% dos negros. Por enquanto, a ex-secretária de Estado mantém liderança confortável entre afro-americanos e latinos. 

O próximo round dos republicanos será na Carolina do Sul, no dia 20. A primeira disputa, em Iowa, foi vencida pelo senador Ted Cruz. A grande dúvida dentro da legenda é quem será o representante dos moderados . Depois de Iowa, esse lugar parecia ser de Rubio, mas o senador viu suas chances diminuírem depois de uma fraca performance no debate de sábado.

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