AP Photo/Susan Walsh
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Trump envia carta a líder chinês para amenizar tensão com Pequim

Chancelaria chinesa agradece contato de presidente americano 20 dias após a posse e diz que cooperação entre os dois países é a única escolha correta

O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2017 | 13h37

PEQUIM - Após 20 dias de silêncio e diversas críticas e provocações à China, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao líder chinês, Xi Jiping, na qual prometeu trabalhar em conjunto para desenvolver a relação entre os dois países. O governo chinês agradeceu a iniciativa do republicano e disse atribuir grande importância aos laços bilaterais entre Pequim e Washington. 

Na campanha presidencial e após a eleição, Trump usou sua conta no Twitter para acusar a China de desvalorizar o yuan propositalmente para obter benefícios comerciais e de aumentar a militarização no Mar do Sul da China, além de criticar a relação chinesa com a Coreia do Norte. Trump também irritou Pequim ao conversar por telefone com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. O diálogo foi considerado um desafio à política de uma só China - segundo a qual Washington não reconhece Taipé-  e guia as relações bilaterais desde os anos 70.

Na carta, segundo a Casa Branca, o presidente americano agradece Xi por sua nota de congratulação pela sua posse e deseja ao povo chinês um ano-novo do galo próspero. "O presidente Trump declarou que anseia em trabalhar com o presidente Xi para desenvolver uma relação construtiva que beneficie tanto os Estados Unidos quanto a China", diz a nota.

A resposta chinesa foi amistosa. "Estimamos muito os votos do presidente Trump ao presidente Xi Jinping e ao povo chinês", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Lu Kang em um boletim diário à imprensa.

Questionado se Trump foi esnobe ao ter ligado para muitos outros líderes mundiais como presidente, mas não para Xi, Lu respondeu: "Esse tipo de comentário não faz sentido".

 

O porta-voz reiterou que a China e os EUA vêm mantendo uma comunicação próxima desde que Trump tomou posse, e a cooperação é a única escolha correta. "A China está disposta a trabalhar com os Estados Unidos aderindo aos princípios de não confrontação, respeito mútuo e benefício mútuo para promover a cooperação, controlar disputas e, sobre uma fundação saudável e estável, promover um desenvolvimento maior nos laços China-EUA", disse Lu.

Trump e Xi ainda não se falaram diretamente desde que o republicano assumiu o cargo em 20 de janeiro, embora tenham conversado logo depois de o norte-americano vencer a eleição presidencial em novembro. Fontes diplomáticas em Pequim afirmam que a China receia que Xi seja envergonhado no caso de um telefonema com Trump dar errado e os detalhes serem vazados à imprensa americana. / REUTERS

 

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