AP Photo/Eric Gay
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Governo Trump avalia mobilizar 100 mil homens da Guarda Nacional contra imigração ilegal, diz 'AP'

Agência cita esboço de memorando ao qual teve acesso; porta-voz da Casa Branca nega existência do documento

O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2017 | 15h16

WASHINGTON - A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, avalia uma proposta de mobilizar 100 mil homens da Guarda Nacional para o controle da imigração ilegal no país, o que afetaria as milhões de pessoas que vivem perto da fronteira com o México, afirmou a agência de notícias Associated Press nexta sexta-feira, 17, citando um esboço de memorando ao qual teve acesso.

O documento de 11 páginas pede uma militarização sem precedentes na aplicação das leis de imigração. A Guarda Nacional já foi usada em regiões de fronteira, mas não nos Estados americanos. 

Quatro Estados na região fronteiriça estão incluídos na proposta - Califórnia, Arizona, Novo México e Texas - mas o plano também engloba sete Estados contíguos a esses: Oregon, Nevada, Utah, Colorado, Oklahoma, Arkansas e Louisiana.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, disse que a informação da agência é “100% falsa” e “irresponsável”. “Não há esforço algum em utilizar a Guarda Nacional para conter imigrantes não autorizados”, afirmou.

Os governadores dos Estados envolvidos poderiam escolher se deixariam seus próprios soldados participarem da ação, de acordo com informações do documento escrito pelo secretário de Segurança Interna dos EUA, John Kelly.

Apesar de os homens da Guarda Nacional terem sido utilizados para ajudar nas missões relacionadas a questões migratórias na fronteira entre EUA e México, eles nunca foram usados de forma tão ampla.

O esboço seria dirigido aos departamentos de imigração americanos, e serviria como um guia para implementar a ordem executiva assinada por Trump no dia 25 de janeiro. O documento aponta que os soldados estariam autorizados a “atuar nas funções de um oficial de imigração com relação à investigação, apreensão e prisão de estrangeiros nos EUA”. Ele descreve que os homens estariam autorizados a conduzir buscas e a identificar e prender qualquer imigrante ilegal.

A Casa Branca e o Departamento de Segurança Interna ainda não responderam aos pedidos de comentários solicitados pela Associated Press.

Se for implementado, o impacto do plano seria significativo, já que cerca de metade dos 11,1 milhões de indivíduos que moram nos EUA ilegalmente estão nos 11 Estados mencionados no projeto, segundo o Pew Research Center, com base em dados de 2014.

O uso dos homens da Guarda Nacional aumentaria o número de imigrantes que são alvo das ordens executivas de Trump emitidas em janeiro, as quais expandiram a definição de quem poderia ser considerado criminoso e potencialmente apto à deportação.

De acordo com as leis atuais, ainda que a proposta seja implementada, não haveria deportações em massa de forma imediata. Aqueles que já contam com ordens de deportação poderiam ser enviados de volta aos seus países de origem sem passar por procedimentos jurídicos adicionais. / ASSOCIATED PRESS

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