AFP PHOTO / NICHOLAS KAMM
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Trump lança ofensiva por marca da filha Ivanka

Criticado por não separar negócios e governo, Trump defende empresária utilizando perfil oficial

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2017 | 21h29

Donald Trump deu nesta quarta-feira, 8, munição aos críticos que o acusam de não estabelecer uma fronteira clara entre sua atuação na Casa Branca e os negócios de sua família. Às 10h51, ele usou a conta oficial de presidente dos EUA no Twitter para atacar a loja de departamentos Nordstrom pela decisão de suspender a venda de produtos da marca de sua filha, Ivanka Trump.

Trump publicou o post 21 minutos depois do início do briefing diário de inteligência, no qual recebe informações sobre potenciais riscos no cenário internacional. Jornalistas perguntaram ao porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, se o presidente estava tuitando durante a reunião. “Ele estava livre quando isso aconteceu”, respondeu Spicer.

“Minha filha Ivanka tem sido tratada de maneira tão injusta pela Nordstrom. Ela é uma grande pessoa – sempre me estimulando a fazer a coisa certa! Terrível!”, escreveu em sua conta pessoal no Twitter. Em seguida, o “cidadão Trump” teve a mensagem retuitada pela conta do presidente dos EUA (@POTUS).

 

Spicer contribuiu para a percepção de que o presidente continua a se confundir com o empresário ao reiterar as críticas do chefe à Nordstrom durante seu briefing diário na Casa Branca. “Ele tem todo o direito de defender sua família e aplaudir suas atividades empresariais, seu sucesso”, declarou o porta-voz. “Há um claro esforço de minar aquele nome com base nas posições de seu pai em certas políticas que ele adotou. Ela está sendo difamada por suas políticas”, ressaltou, em referência a decisões adotadas por Trump na Casa Branca.

A Nordstrom anunciou na sexta-feira que deixaria de vender acessórios e roupas de Ivanka. Oficialmente, a empresa disse que a medida foi adotada dentro de um processo regular de revisão dos produtos oferecidos em suas lojas. Em nota, a Nordstrom observou que negocia mais de 2 mil tipos de itens e é comum a retirada de marcas desse universo. 

A rede de lojas de departamentos criticou políticas do presidente, especialmente as que restringem imigração para os EUA, e foi alvo da campanha #grabyourwallet, que defende o boicote a lojas que vendem produtos da marca Trump. As ações da Nordstrom caíram nos minutos seguintes à mensagem do presidente no Twitter, mas se recuperaram em seguida, para fechar o dia com alta de 4%. O índice da Bolsa de Nova York caiu em 0,2%. 

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