REUTERS/Kevin Lamarque
REUTERS/Kevin Lamarque

Trump mantém EUA em pacto nuclear com Irã, mas Washington anuncia novas sanções

Presidente americano revê promessa de abandonar acordo que Washington e outras cinco potências firmaram com país persa em 2015; e estabelece prazo de 120 dias para que os termos sejam 'corrigidos'

O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2018 | 17h00

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteve perto de impor novamente sanções contra o Irã que poderiam pôr fim ao acordo nuclear de 2015, entre Teerã e as potências mundiais, informou ontem a Casa Branca. 

Em vez disso, Trump manteve o alívio nas sanções determinado pelo pacto, mas estabeleceu um prazo de 120 dias para seus aliados europeus consertarem “falhas terríveis” nos termos do acordo, ameaçando uma retirada unilateral dos EUA. “É a última chance”, declarou ontem o presidente americano, em um comunicado.

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“Conclamo os principais países europeus a se unirem aos EUA na correção de falhas significativas no acordo, combatendo a agressão iraniana e em apoio ao povo iraniano. Se as outras nações fracassarem em agir durante esse período, acabarei com nosso acordo com o Irã.”

Foi a terceira vez que o presidente prorrogou a participação dos EUA no pacto intermediado por seu antecessor, Barack Obama, que Trump qualifica como “o pior acordo de todos os tempos”, ameaçando repetidamente a retirada dos EUA.

A Alemanha declarou que vai consultar os países europeus para que um consenso sobre a manutenção do acordo seja encontrado. O chanceler iraniano, Mohamed Javad Zarif, denunciou “uma tentativa desesperada de sabotar um sólido acordo multilateral”. 

A relutância de Trump em manter o país no pacto cresceu nas semanas seguintes aos protestos no Irã, nos quais 21 pessoas morreram e milhares foram presas. Assessores mais próximos do presidente, no entanto, o convenceram de que era melhor manter o acordo.

Líderes europeus também disseram que o pacto estava de pé, já que Teerã vinha cumprindo o que foi acertado. Os europeus garantem que o acordo evita a produção de armas nucleares e temem que o fim do pacto faça o Irã dar uma guinada ainda mais conservadora. 

Ontem, Trump também aprovou sanções contra 14 indivíduos e entidades do Irã por abusos dos direitos humanos, censura e fornecimento de armas a aliados iranianos na região. Entre os funcionários do governo punidos, o mais poderoso é o chefe do Judiciário iraniano, o aiatolá Sadeq Larijani, que o governo americano considera culpado pela violenta repressão aos recentes protestos no Irã. 

Iêmen

O Conselho de Segurança da ONU confirmou ontem que o Irã violou o embargo internacional para evitar o fornecimento de armas ao grupo xiita houthi, aliado de Teerã no Iêmen. Os iranianos teriam enviado mísseis, drones e outros equipamentos militares aos rebeldes que lutam contra o governo sunita do Iêmen. / REUTERS, NYT e AFP

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