AFP PHOTO / NICHOLAS KAMM
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Acordo para que jovens imigrantes permaneçam nos EUA está próximo, diz Trump

Horas depois de negar pacto com democratas, presidente americano diz que 'alguma coisa vai acontecer', mas condiciona aprovação de legislação para substituir Daca a 'investimentos massivos' para a segurança da fronteira

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 10h40
Atualizado 14 Setembro 2017 | 12h11

WASHINGTON - O presidente Donald Trump disse na manhã desta quinta-feira, 14, que está "bem próximo" de um acordo com o Congresso para a proteção de jovens levados aos EUA de maneira clandestina por seus pais quando eram crianças. Há dez dias, a Casa Branca anunciou que o Daca, o programa que suspende a deportação desse grupo, acabará dentro de seis meses.

Nesse período, o Congresso terá de encontrar uma solução legislativa para definir a situação das 800 mil pessoas beneficiadas pela medida, implantada pelo ex-presidente Barack Obama por meio de decreto. O acordo começou a ser costurado na quarta-feira em um jantar de Trump com os líderes do Partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, e na Câmara, Nacy Pelosi. Nenhum parlamentar do Partido Republicano participou do encontro.

Trump afirmou que a solução para o programa Ação Diferida para Chegadas de Crianças (Daca, na sigla em inglês) está condicionada à aprovação de "investimentos massivos" para a segurança da fronteira. Mas ele concordou em deixar a construção do muro entre os EUA e o México fora da negociação. "O muro virá mais tarde", declarou. Segundo o presidente, os líderes de seu partido na Câmara e no Senado apoiam o possível acordo.

"Você tem 800 mil pessoas jovens trazidas para cá, sem culpa nisso. Nós estamos trabalhando em um plano e vamos ver se ele funciona. Nós vamos ter massiva segurança na fronteira como parte disso. E eu acho que alguma coisa vai acontecer, vamos ver o que vai acontecer, mas algo vai acontecer", declarou Trump quando deixava a Casa Branca em direção à Flórida, onde se encontraria com vítimas do furacão Irma.

O anúncio da negociação provocou reações negativas entre os ultraconservadores da base do presidente. A publicação Breitbart, dirigida pelo ex-estrategista-chefe da Casa Branca Steven Bannon, classificou o movimento de "anistia" a imigrantes indocumentados.

Ann Coulter, uma escritora de extrema direita, afirmou que o eventual acordo é razão para o impeachment de Trump. "Se nós não tivermos o muro, eu preferido presidente Pence", disse no Twitter, referindo-se ao vice-presidente Mike Pence.

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Horas antes, em sua conta no Twitter, Trump negou que tenha fechado um acordo com os líderes democratas no Congresso, tal como eles anunciaram na véspera.

"Nenhum trato foi feito ontem à noite sobre o Daca. A segurança massiva da fronteira deve ser acertada em consenso. Deveria estar sujeita à votação", escreveu o presidente em sua conta do Twitter.

"O muro, que já está sendo construído através da renovação de valas e muros antigos e já existentes, vai continuar sendo construído", acrescentou Trump na rede social. 

O presidente americano pergunta em seguida: "Alguém realmente quer esquecer jovens bons, educados e capacitados que estão trabalhando, alguns servindo o Exército?" "Eles estiveram no nosso país durante muitos anos sem ter culpa - trazidos pelos pais em uma idade tenra. Maior segurança fronteiriça." / COM EFE e AFP

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